domingo, 31 de janeiro de 2016

O testemunho de Santo Ambrósio

Uma bela contribuição de nosso confrade Geovanne Moreira da Missão Sagrada Família de Betim.




É por isso que amamos o de Sempre e repudíamos o modernismo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Coerência?

Hoje eu recebi um e-mail com este texto:
 
"A Igreja conciliar e neomodernista não é portanto nem uma Igreja substancialmente diferente da Igreja Católica nem absolutamente idêntica; ela tem misteriosamente algo de um e de outra: é um corpo estranho que ocupa a Igreja Católica. É preciso distingui-las sem separá-las."

Por ventura, o que foi dito acima parece com o que foi dito abaixo?

"80. Mas falar de uma Neo-igreja não seria perigoso para a fé de alguém?
Isso não é perigoso, é necessário porque é a realidade! 
“É uma nova Igreja que se ergueu (...) eles são obcecados pela fidelidade ao Vaticano II que, para eles, é uma nova Igreja, é a Igreja Conciliar com seus próprios sacramentos, sua própria fé, sua própria liturgia, catecismos, isso tudo é aterrorizante, aterrorizante. Nós não podemos nos submeter a isso, é impossível! (...) Então, o que eu deveria pedir? Pedir aos seminaristas para fazer um juramento de submissão à Igreja Conciliar? Isso não é possível. Não, não, está claro agora que nós estamos lidando com uma Neo-igreja, UMA IGREJA QUE TEM DOZE ANOS” (Cospec 33B, 1976).
 
81. Hoje, a Igreja Conciliar tem cinquenta anos. Nada mudou desde então?
Sim, uma coisa mudou. Hoje, Mons. Fellay, o superior da Fraternidade fundada por Mons. Lefebvre, pretende fazer os fiéis católicos acreditarem que essa IGREJA CONCILIAR DE CINQUENTA ANOS É A MESMA REALIDADE QUE A IGREJA CATÓLICA, pois a primeira seria uma corrupção desta última.

82. Isso é inaceitável para você?
Não só para mim. É inaceitável por si próprio. Da mesma forma que isso era inaceitável para qualquer um que assistiu as sagrações de 1988 e que aplaudiu o anátema que Mons. Lefebvre lançou contra o espírito conciliar: “O que é essa verdade para eles, senão a verdade do Vaticano II, a verdade da Igreja Conciliar? Consequentemente, está claro que a única verdade que existe hoje para o Vaticano é a verdade conciliar, o espírito do Concílio, o espírito de Assis. Esta é a verdade de hoje. Mas nós não queremos ter nada a ver com isso, por nada no mundo! Por nada no mundo!” (Seguiram-se aplausos longos e tonitruantes) (Mons. Lefebvre, 30/06/1988)."
 
Não parece. São coisas opostas. Não sou teólogo, mas suficiente escaldado para saber que isso não é coerente.

Em tempo, os 3 itens citados fazem parte de um artigo chamado, eu diria hoje ironicamente, de "Catecismo da Crise na Fraternidade" e ataca a postura de Dom Fellay em relação a seríssima crise de fé que passamos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Padre Pedro Cerruti e a Cereja do Bolo

Ontem recebi de meu cumpadre uma pérola que não conhecia. Um livro chamado "A Caminho da Verdade Suprema" do Padre Pedro Cerruti. Entre inúmeros assuntos tratados, o sacerdote fala dos milagres.
Sem muitas delongas (sou péssimo pra isso) vejamos o que diz o Sacerdote sobre como reconhecer um milagre físico apologético. Ele cita quatro pontos importantes para que um milagre, enquanto critério de revelação divina, seja reconhecido como tal: 

1 - verdade histórica : Se o milagre aconteceu realmente;
2 - verdade filosófica : Se o milagre é extraordinário, isto é, supera as forças de toda natureza criada;
3 - verdade teológica : Se o milagre foi produzido por Deus;
4 - verdade relativa : Se Deus o produziu para confirmar uma revelação;

Não vou entrar em detalhes sobre todos os itens pois não é o ponto, mas vou prender-me ao item 3, onde o sacerdote diz:

"A razão vê logo, já a priori, que deve ser possível discernir os verdadeiros milagres divinos dos prodígios do demônio. Deus com efeito: 1) não pode permitir que o homem seja induzido invencivelmente no erro em matéria moral e religiosa e acerca de sua salvação eterna: opõem-se a Veracidade, a Santidade e a Providência divina; seria por a Providência em contradição consigo mesma, guiando os homens para a salvação e juntamente colocando-os em circunstâncias tais, que, apesar de suas diligências e da sua boa vontade, tomariam invencivelmente como verdades que conduzem à salvação, erros que de fato afastam dela. 2) nem pode permitir que o milagre, único critério primário para reconhecer a verdadeira revelação divina, perca seu valor e eficácia, como aconteceria se não se pudesse discernir dos prodígios do demônio: opõe-se a isso a Sabedoria divina.

Não é difícil entender porque um milagre eucarístico não aconteceria no NOM. Fiéis, apesar de sua boa vontade, tomariam como verdade erros que ao invés de os aproximar de sua salvação, o afastariam dela.

Padre Cerruti também prefere a Cereja do Bolo. 

Fonte : Cerruti, Padre Pedro; A Caminho da Verdade Suprema

domingo, 24 de janeiro de 2016

O Cisma do Vaticano II

Cismáticos, define o Código de Direito Canônico, são os fiéis que se separaram do corpo da Igreja, constituído pelo Papa e os bispos em união com ele. Vão mais diretamente contra a Caridade, do que contra a Fé. Assim, antes do primeiro concílio do Vaticano, poder-se-ia cogitar de um que chegasse à heresia. Exemplo histórico é o fato constituído pela “petite église”, formada pelos bispos e fiéis que não acataram a decisão de Pio VII, quando, cedendo às exigências de Napoleão, destituiu todos os bispos fiéis à monarquia de Luiz XVI. Esses bispos e fiéis não aderiram a nenhum erro doutrinário, mas não acataram a decisão do Papa. Afastaram-se, apenas, do Papa e dos bispos que com o Papa se mantiveram unidos. Foi um Cisma. Não foi uma heresia.
Visto o primeiro concílio do Vaticano ter definido como dogma de Fé que o Romano Pontífice tem, na Igreja, o poder supremo de Jurisdição sobre bispos e fiéis, não há mais possibilidade de se figurar um cisma que não seja também heresia, que não rejeite uma verdade de Fé.
No entanto, como a heresia, o cisma, em geral, envolve também discordância doutrinária. É assim que se fala no cisma de Santo Hipólito, no século III, quando o Santo recusou aceitar a autoridade do Papa São Calixto. Cisma, então poderia definir-se um corpo de doutrina que se apresentaria como lote doutrinário da Igreja, e que, na realidade, se afastaria da pureza e integridade dos ensinamentos da mesma Igreja.
No caso do Vaticano II, este poderá e deverá ser apontado como cismático, desde que se mostre que, nos seus textos autênticos, há ensinamentos destoantes da Fé tradicional da Igreja.
Ora semelhante dissonância foi notada, mesmo durante os trabalhos conciliares. É, aliás, de todos conhecida a liberdade religiosa, reivindicada pelo Concílio como direito natural, mesmo para aqueles que não cumprem o dever de investigar qual a verdadeira religião. Em outras palavras, o Concílio admite que semelhante direito seja reconhecido por todos os Estados. Tal ensinamento do Vaticano é diametralmente oposto à doutrina tradicional, renovada por Pio IX na encíclica “Quanta Cura”.
Esse é um exemplo. Há muito mais.
Diante dessa posição cismática do Vaticano II, o bem das almas impõe a absoluta necessidade de eliminá-la antes de cuidar de eventuais outras, que possam aparecer. Aliás, o Vaticano II não poderá ser apresentado como concílio da Igreja Católica.

Fonte : O Pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer; Textos selecionados 1972 ~ 1989; Editora Permanência

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

São Pio X, os milagres de Lourdes e a prudência

São Pio X já agia com prudência em relação a milagres que, hoje, não temos a menor dúvida que são verdadeiros. Lourdes talvez seja, na modesta opinião de quem vos escreve, as aparições mais importantes da Virgem Santíssima depois de Fátima.
O que pensar então de supostos milagres surgidos no seio de uma missa bastarda, da qual Msr. Lefebvre dizia que deveríamos nos afastar?

"[São] Pio X deu prova de prudência e determinação ao mesmo tempo. Em 1904, o cinquentenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição foi motivo de uma peregrinação de médicos católicos a Roma. O artífice dessa peregrinação foi o Dr. Feron-Vrau, grande figura do catolicismo social em Lillle. O Dr. Boissarie se associou a preparação da peregrinação, de que participaram cerca de duzentos médicos da Sociedade São Lucas, em sua maioria franceses, mas também belgas e luxemburgueses. A peregrinação, dirigida por Mons. Schoepfer, bispo de Tarbes, foi recebida em audiência pelo Papa em 12 de abril de 1904. [São] Pio X pensara inicialmente em rememorar algumas curas ocorridas em Lourdes, mas por fim desistiu da idéia, porque não tinham sido reconhecidas canonicamente. Ele não quis parecer alguém que usa a própria autoridade para justificar fatos que só tinham sido considerados excepcionais pelas autoridades médicas. Pouco depois, ao receber o Dr. Boissarie em audiência privada, vai mostrar-se prudente: "A palavra milagre não deve ser pronunciada irrefletidamente, dirá ele, pois vivemos numa época em que, mais que nunca, pode-se evocar a sugestão..." Ele estabelecerá também numa distinção destinada a se tornar clássica no processo de reconhecimento médico das curas: ele propunha que se distinguisse "de um lado, as feridas, as reconstituições de tecido e, de outro, os problemas funcionais e nervosos...""

Fonte: Chiron, Yves : Os milagres de Lourdes

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A Cura milagrosa segundo Bento XIV e a Onipotência Ordenada

Várias vezes nos meus (às vezes improdutivos) debates com protestantes, sempre defendi que a Igreja tratava os milagres de forma muito séria, sempre se acercando de totais garantias sobre a veracidade dos mesmos. Ao contrário, por exemplo, dos protestantes com seu circo presente nos cultos diabólicos, ou mesmo dos carismáticos com suas curas e dons de línguas dominados pelo espírito protestante da "sola scriptura".

Bom, este pequeno trecho do livro do médico Yves Chiron, chefe da comissão médica que avalia as curas acontecidas em Lourdes, mostra como a Igreja (1) se preocupa com a veracidade dos fatos, observando principalmente a ONIPOTÊNCIA ORDENADA de Deus.

"Em Lourdes, também são estes critérios (2) presentes no espírito dos órgãos médicos encarregados de examinar as pessoas que se declaram curadas. Porém, com a diferença fundamental de que a Comissão Médica de Lourdes é apenas uma "comissão de constatações". Seu trabalho não é proclamar o caráter miraculoso de uma cura - isso cabe à Igreja - mas constatar, segundo a medicina, a realidade dessa cura e demonstrar que ela não se explica por razões naturais ou médicas. Em Lourdes, portanto, os critérios de Bento XIV não fazem parte, oficialmente, dos procedimentos médicos empregados. No entanto, cada médico da Comissão Médica ou do Comitê Médico Internacional conhece-os e os tem presentes na mente, quando se trata de se pronunciar sobre um caso de cura.
Devemos dizer ainda que, quanto à Igreja, os sete critérios objetivos definidos pelo cardeal Lambertini acrescentam-se critérios de ordem religiosa que permitem distinguir o milagre (de origem divina), do prodígio (que pode ser de origem diabólica).

Enfim, o cardeal Lambertini esclarecia que as circunstâncias que envolvem a cura devem também ser examinadas com cuidado: "Se, na finalidade, no agente, nos meios, nas condições, nos efeitos do fenômeno extraordinário ocorrido, nada se encontra de frívolo, ridículo, desonesto, vergonhoso, violento, ímpio, orgulhoso, mentiroso ou defeituoso, a qualquer título que seja; se, ao contrário, tudo nele for conveniente, sério e conduzir a piedade, à religião, à santidade, não há nenhuma dúvida, esse preternatural não pode ser diabólico."

Fonte : Chiron, Yves - Os milagres de Lourdes

(1) O Cardeal Lambertini fixou regras, citadas abaixo, para reconhecimento da veracidade de um milagre de cura no ano de 1734. Como Papa Bento XIV reinou gloriosamente entre os anos de 1740 até 1758.

(2) Os se critérios definidos pelo Cardeal Lambertini (Bento XIV) são:
-que a doença seja grave e impossível ou difícil de ser curada;
-que a doença da qual se é curado não tenha atingido sua última fase, de modo que, pouco depois, ela devesse ter declinado;
-que não tenham sido tomados medicamentos ou que estes se tenham revelado ineficazes;
-que a cura seja rápida e instantânea;
-que a cura seja perfeita;
-que ela não seja precedida nem de uma evacuação considerável nem de uma crise;
-que a doença desaparecida não volte.