segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Dom Williamson e o catecismo

Padre Cardozo sempre nos cobra que estudemos o catecismo. Simples, salvaremos nossas almas se soubermos o catecismo e colocá-lo em prática.

Recebi um comentário de um amigo, que achei bastante pertinente e reproduzo parte do mesmo aqui, já que é muito extenso.

Ele faz uma pequena comparação sobre um comentário de Dom Williamson com a doutrina da Igreja exposta no catecismo e por um Santo Doutor.

Ele, Dom Williamson, começa o CE 403 dizendo: “Parece que os Papas conciliares Nosso Senhor abandonou? Não se a sua perda integral da fé Ele evitou.”

Bem faz Padre Cardozo, que ao nos ensinar alguma coisa, sempre fala do Catecismo. Dizia um amigo: "Para ser santo não preciso ser teólogo, mas preciso saber o catecismo." Pois bem...
Por ventura é possível ter meia fé? É possível ser "meio católico"? O Catecismo nos ensina que “a Fé perde-se negando ou duvidando voluntariamente, ainda que seja de um só artigo que nos é proposto para crer”. Bom, daí se percebe que não existe “meia fé” ou “meio herege”. Fé, ou a pessoa tem ou ela não tem, embora possa lhe ser acrescida, conforme disse São Tomé “aumentai a minha fé”. Sabemos que entre os protestantes “mais tradicionais” encontramos pessoas que tem “fé” em algumas coisas que nós também temos, por exemplo, a existência do Céu, do Inferno, da Divindade de Nosso Senhor, na Inspiração Divina das Escrituras e etc... É sabido que há também entre os judeus e muçulmanos elementos que compartilham da nossa crença, como os já citados acima (excetuando a Divindade de Nosso Senhor, é claro). E por isso, Deus não abandonou o Protestantismo, porque são “meio-hereges”? Ora, não existe meio herege. Ou é ou não é. E o judaísmo? Nosso Senhor ainda mantém a aliança com eles, porque eles crêem nas Escrituras e nos Profetas, como nós? Claro que não! Santo Afonso nos alerta que: 

“Se possuis um terreno, que cercaste e, apesar de cultivado durante longos anos com gastos consideráveis, vês que não te dá fruto algum: que farás?... Arrancas-lhe o cercado e o deixas abandonado. Pois bem, teme que Deus não proceda do mesmo modo contigo. Se continuas pecando, irás perdendo o remorso da consciência; não pensarás na eternidade nem em tua alma; perderás quase de todo a luz que nos guia; acabarás por perder todo o temor... Com isto podes considerar abatida a cerca que te defendia, para dar lugar ao abandono de Deus.” (Preparação para a morte – Consideração XXIII, ponto III).

 Vejamos que Dom Felix Sarda y Salvany, nos ensina que “o liberalismo, que é heresia, e as obras liberais, que são obras heréticas, constituem o pecado máximo que se conhece no código da Lei Cristã” (O liberalismo é pecado), ou seja, se dizem, como dizem, que os Papas conciliares são liberais, ou seja, arrancou-lhes a cerca, como não dizer que foram abandonados por Deus? 

Dom Williamson, podem os papas conciliares ainda terem fé?


domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Toyota e a fé. Em defesa de... Opa.. "Péra! (1)"..

Outro dia recebi um texto de um amigo que tenho bastante consideração, do qual prefiro não dizer o nome, pois não há necessidade de expôr ninguém nesse momento que passamos por tribulações já irreversíveis, onde Padre Cardozo é acusado de uma espécie de sedevacantismo absoluto, agora também é acusado de "eclesiavacantismo", e de afirmar que NADA na igreja conciliar presta, que todos sacramentos são inválidos e outras bobagens do tipo.

Bom, primeiro explico o título do texto, e apesar de ter aprendido nas aulas de redação, inclusive para fazer concursos, que o título do texto retiramos do último parágrafo, adianta-mo em dizer que Padre Cardozo não precisa de defesa. Aprendi dele mesmo que se não o quisermos em nossas missões, ele vai-se embora tranquilamente, pois se temos a graça de recebê-lo para nos "dar as missas", como ele mesmo diz, existem outros cinquenta querendo-o também. Padre Cardozo tem muita experiência no sacerdócio, uma vida de combate aos modernistas, e apesar de Dom Willianson dizer que existem muitos que estão cansados do combate, Padre Cardozo eu tenho certeza que não está.

Antes de iniciar meus argumentos, vou colocar aqui, e depois explico o motivo, com caráter didático, o anúncio de um "recall" do Corrolla feito pela Toyota (2). (donos de Corolla, fiquem atentos... risos)

"Defeito apresentado: Foi detectada uma falha na lubrificação dos contatos elétricos do interruptor de acionamento do vidro elétrico da porta dianteira esquerda dos veículos.
Riscos e implicações: Há risco de curto circuito, superaquecimento e derretimento dos componentes internos do interruptor. Caso isso ocorra, haverá a produção de fumaça e baixo risco de incêndio no local, podendo causar lesões físicas e/ou danos materiais aos ocupantes do veículo."


O anúncio completo do recall pode ser encontrado aqui.

Para quem não sabe, um recall é uma prevenção adotada pelas montadoras, inclusive hoje obrigadas por lei, onde as fábricas ao detectar um possível problema em um veículo, fazem o reparo para que se evite acidentes e para que o consumidor tenha seu direito preservado.

Mas como a montadora chega a esta conclusão? Já trabalhei em uma e posso afirmar. Através de exaustivos testes nos veículos já prontos, testes nos lotes de peças produzidas, e também reclamações, de certa forma, constantes dos consumidores a respeito de um determinado problema. Porém, quando a montadora faz um teste, por questões de custos, tempo, praticidade, o faz em amostras de peças (definidas estatisticamente) para saber se aquele lote de peça, ou lote de produção de um veículo, apresenta o defeito pesquisado.

Dito isto, chegamos ao mais importante: Qual a conclusão destes testes? Se um conjunto de peças apresentar defeito em suas poucas amostras pesquisadas, aquele lote de peça é todo condenado e a montadora fica obrigada a trocar TODAS as peças dos carros vendidos. Voltando ao exemplo do recall dito acima, a Toyota chama os compradores do modelo defeituoso produzidos entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. Sim, carros produzidos ao longo de 2 anos. E por isso significa que TODAS as peças saíram com defeito? Significa que todo o trabalho da montadora foi inútil neste longo período e que lá existia uma "cambada de imbecís" que não sabiam o que faziam? É claro que não. Significa que havendo risco que algumas poucas peças que estejam defeituosas, e que não é possível determinar quais carros realmente saíram com defeito, e procurando preservar a segurança dos consumidores, a montadora se vê obrigada a rejeitar TODO um lote de produção, por causa de alguns poucos defeitos.

Para trazer meu exemplo a fé cito uma passagem do Livro "Preparação para a morte" de Santo Afonso de Ligório:

"Quando São Tomás More foi condenado à morte por Henrique VIII, Luísa, sua esposa, procurou persuadi-lo a consentir no que o rei queria.
Tomás lhe replicou: Dize-me, Luísa, vês que já sou velho. Quanto tempo ainda poderei viver? — Poderás viver ainda vinte anos — disse a esposa. — Oh! triste negócio! — exclamou então Tomás. — Por vinte anos de vida na terra, querias que perdesse uma eternidade de ventura e que me condenasse à eterna desdita?” Iluminai-nos, ó Deus! Se a doutrina da eternidade fosse duvidosa, se não passasse de opinião provável, ainda assim deveríamos procurar com empenho viver bem para não nos expormos, caso essa opinião fosse verdadeira, a ser eternamente infelizes. Mas essa doutrina não é duvidosa, senão certa; não é mera opinião, senão verdade de fé: “Irá o homem à casa da eternidade...” (Ecl 12,5). “É a falta de fé — diz Santa Teresa — a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos!... "

Pois bem amigos, assim é a nossa fé. Se o ser humano tem tal cuidado com algo material, o que dizermos quando o que está em jogo é a salvação eterna? Padre Cardozo nunca nos disse que TUDO na igreja conciliar está errado. Eu particularmente nunca escutei, e se alguém souber se alguma vez ele disse isso, por favor, traga aqui essa afirmação. Sinceramente gostaria de ver. Ao contrário, ele já nos disse umas 50 vezes talvez, por baixo, e isso sim eu escutei, que o erro sempre precisa de uma verdade para se manter. Um erro nunca é 100% erro. Padre Cardozo já nos lembrou algumas vezes de um concílio da Igreja (Pistoia) que foi anulado simplesmente por que neste concílio não havia a palavra "transubstanciação" (ou eucaristia, não estou certo agora). Significa que TODO o concílio estava errado? Claro que não. Significa que a Igreja Católica não erra em matéria de fé e moral, e que ao perceber um mínimo erro, condena tudo aquilo, pois este erro não é da Igreja, e sim do demônio, a qual TODOS nós estamos sujeitos ao seu constante ataque.


Voltando ao exemplo do recall da Toyota,  a fé é como o carro. O recall é o cuidado que devemos ter com ela, ainda que a doutrina da eternidade fosse questão duvidosa, como diz Santo Afonso, deveríamos fazer como as montadoras e reparar seus carros para que evitemos a ocasião de perdê-la. Esse é o princípio envagélico do "Sim, sim, não, não." Ou recusamos falsas doutrinas, mesmo que possam conter partes, até mesmo grandes partes da verdade, ou desprezamos Santo Afonso e fazemos da nossa salvação uma jogo do acaso, onde havendo dúvida, deixo que a sorte possa decidir onde passaremos a eternidade. 


No mais, para também exemplificar aquilo que Padre Cardozo sempre defendeu, e ao contrário do que alguns acham, dizendo que existe nele um espírito sectário: sua recomendação ao nosso confrade Rafael Horta, um dos responsáveis por hoje termos nossa missão em Contagem, sobre sua ida até Anápolis para trabalhar com Padre Fernando, sacerdote este que apesar de celebrar a missa antiga, conferir a confissão no rito antigo, entre outros detalhes, foi ORDENADO NO RITO NOVO. Ora bolas, se Padre Cardozo realmente achasse que TUDO na igreja conciliar não presta, ele teria dito a um fiel que recebesse os sacramentos de um padre que COM CERTEZA teria sua ordenação inválida?

Além disso, nós mesmos que estamos hoje na finada "resistência", somos exemplo de que nem tudo na igreja conciliar é ruim. Mas uma coisa é certa, não estamos aqui por causa da igreja conciliar, mas APESAR da igreja conciliar.

E pra terminar deixo aqui um explicação do Prof Carlos Nougué, em uma palestra dada em Ipatinga em outubro do no passado (3), onde ele mesmo diz, entre outras coisas, que é uma regra de fé não frequentar sacramentos duvidosos.

Até onde sei, ninguém disse que Carlos Nougue é sedevacantista absoluto.

Bom, sabe mais a Toyota sobre a fé do que nós?

(1) Nós mineiros temos o peculiar e admirável hábito de cortar as palavras ao meio. Quem não conhece a piada do "Pó pô pó? Pó Pô." Pois bem, "Péra" é a mesma coisa que "Espera". Só mineiro mesmo pra entender.

(2) Um recall como narrado é praticado por todas as montadoras, que o fazem ao menos por força de lei. A Toyota é a maior montadora do mundo, tendo seu modelo de produção copiado por diversas outras empresas.

(3) Aqui a palestra completa. A fala da qual se refere o texto esta por volta de 46:00. Em tempo, quem quiser escutar a palestra toda, Carlos Nougue explica claramente o caos da igreja conciliar, motivo pelo qual devemos ordinariamente manter distância.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Somos Católicos...

...Apostólicos Romanos.

Monsenhor Lefebvre dizia que não era líder de grupo.

Então, seguimos assim, defendendo a fé católica de 2000 anos, a fé dos mártires, o Credo, a Virgem Santíssima e seguindo seu Filho Amado!!

Os modernistas e liberais, que fiquem pra lá. Não nos interessa. Continuamos combatendo os seus erros e rezando para que salvem suas almas, assim como lutamos para salvação da nossa.

Viva Cristo Rei!

Salve Maria!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Religião do homem (II)

Tive a graça de ir a 3 vezes no Santuário de Fátima em Portugal. Lugar das Aparições mais importantes da Virgem Santíssima na história da Igreja (na minha modesta opinião). Duas vezes consegui entrar na Basílica antiga (na nova recusei-me a entrar). A última vez não consegui. Pra minha surpresa, saiu no Fratresinunum um artigo que chamou-me a atenção. A tradicional foto da semana publicada no dia 21/02/16, mostra o horrível altar em forma de mesa inaugurada na Basílica Nossa Senhora do Rosário em Fátima, novidade da reforma que impediu-me de entrar na Basílica a última vez que estive lá.
Reproduzo a foto do site aqui.



Reproduzo também duas fotos de altares maçonicos para que você mesmo possa fazer sua comparação.




Os maçons que dominaram o alto clero da igreja conciliar já não tem mais vergonha na cara. Suas ações estão ficando cada vez mais escancaradas. Faço então a minha reflexão: É essa Igreja Católica Apostólica Romana? A Igreja dos mártires e santos?
Não sou teólogo para responder isso, mas sou capaz de dizer que a um simples fiel não pode ser imputado que são a mesma Igreja. São duas Igrejas. Uma falsa que parasita uma verdadeira.
Por fim, utilizo-me da alocução do Papa Paulo VI no encerramento do Concílio Vaticano II:

"O humanismo laico e profano apareceu finalmente em toda sua terrível estatura, e, em certo sentido, desafiou o Concílio. A religião de Deus que se fez homem encontrou-se com a religião - por que o é -  do homem que se faz Deus. - Que aconteceu? Um choque, uma luta, uma condenação? - Poderia ter-se dado; mas não aconteceu... O descobrimento das necessidades humanas absorveu a atenção de nosso sínodo. Vós outros, humanistas modernos, que renunciais à transcedência das coisas supremas , dai-lhe, ao menos, esse mérito, e reconhecei nosso novo humanismo: nós também, e mais do que ninguém, somos promotores do homem."

Dom Antônio de Castro Mayer faz a seguinte reflexão sobre o que diz Paulo VI: Eis que a igreja conciliar aparece como a igreja do homem.

Este horrível altar em Fátima só nos faz confirmar isso. 

Fonte : Mayer, Dom Antônio de Castro. Monitor Campista, 25/09/1982

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O desabafo de um fiel. Carta aberta ao Padre Cleber Eduardo dos Santos Dias

Recentemente vi publicado no Fratresinunum uma carta do Rev. Padre Cleber Eduardo dos Santos Dias referindo-se a herética e blasfêmica Campanha da Fraternidade 2016, cujo tema é "Casa comum, nossa responsabilidade".
Este ano a CNB "do" B conseguiu superar todas expectativas marxistas e leva os brasileiros a pensar que em breve estaremos vivendo em Cuba, com moradias comuns a baixo custo, tamanha é a falta de vergonha que tal entidade hoje se empenha em lutar por "causas sociais" em detrimento da doutrina.
Também não é necessário dizer que tais doutrinas marxistas já foram condenadas a muito tempo pelo Magistério da Igreja, sendo contrárias ao ensinamento perene professado por 2000 anos pela Santa Igreja Católica.
Penitência, juízo particular, juízo final, inferno, paraíso, purgatório e tudo mais que diz respeito a doutrina imutável da Igreja são esquecidos para iludir os fiéis com temas, como dito, de cunho marxista, voltados a "políticas sociais", que longe de questionar se são de fato uma preocupação da sociedade civil, - e eu até acredito que sim - , pergunto-me assim como inúmeros fiéis que se questionam a respeito do ocorrido, Porventura esse é de fato a missão dada por Nosso Senhor Jesus Cristo a Igreja para que fosse cumprida por todos os séculos dos séculos? Não bastasse isso, a CNB "do" B, cumprindo seu propósito de destruir a fé católica, ainda aplica a Campanha da Fraternidade o falso ecumenismo implantado no CVII, ecumenismo este que ofende a Realeza de Nosso Senhor ao colocar no mesmo nível o único e verdadeiro Deus, Uno e Trino, cultuado única e exclusivamente pelos católicos, nivelando-O aos falsos deuses, que como diz São Paulo, na verdade são demônios.
Dito isso, gostaria de me ater a um pequeno detalhe dito pelo sacerdote em seu texto, o qual transcrevo abaixo:

"Quando um padre se levanta contra estas questões candentes ele é tachado de “não está em comunhão com a Igreja” ou, “não está em comunhão com a Diocese” ou “não está em comunhão com o presbitério”. Conversa fiada de que detêm o poder, mas não detêm a razão. Senhores… o mal e o pecado continuam ser mal e pecado mesmo que todos digam que não.
O que ocorre com tal padre, na melhor das hipóteses é ostracizado pelos colegas, na pior é suspenso do uso de ordens. VEREMOS o que lá vem para mim."

Reverendo Padre Cleber, de fato quem defende a fé católica, não está em comunhão com o modernismo que assolou alto clero da Igreja atual. Ou se é católico, defendendo a fé católica, ou se é comunista, atuando como atuam os senhores bispos pertencentes a CNB "do" B. Também estou inteiramente de acordo com o Reverendo Sacerdote no que diz respeito ao poder, a razão e o pecado. "Importa obedecer antes a Deus do que aos homens." (Atos 5, 29) A quem então devemos seguir? Acaso vale ao homem seguir a bispos modernistas e desrespeitar a Deus? Terminando uma pequena análise do trecho final do seu comentário, a quem o Reverendo Sacerdote vai preferir seguir, caso seja suspenso de ordem ou seja enviado a última paróquia no fim de Novo Hamburgo? Ficará calado e aceitará os desmandos que a CNB "do" B impõe aos católicos? Desculpe-me, a muitos pareceu de extrema coragem a atitude do Sr ao publicar esta carta. A mim, último e indigno escravo da Virgem Santíssima, parece-me mais do mesmo. Ao final, os modernistas seguirão dando as cartas e aqueles que pensam estar defendendo a fé, continuarão submissos aos inimigos de Nosso Senhor.





Eugênio Mendes de Souza Lima
Contagem / MG


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sempre bom lembrar

“Que ninguém se engane, não se trata de uma contenda entre Dom Lefebvre e o Papa Paulo VI. Trata-se da incompatibilidade radical entre a Igreja Católica e a Igreja Conciliar, a missa de Paulo VI representando o símbolo e o programa da igreja conciliar.
Bem! É precisamente as insistentes demandas para que mudássemos o nosso rito por aqueles enviados por Roma, que nos faz refletir. E estamos convencidos de que este novo rito da Missa exprime uma nova fé, uma fé que não é nossa, uma fé que não é a fé católica. Esta nova missa é um símbolo, uma expressão, uma imagem de uma nova fé, uma fé modernista “. (Ordenações sermão em Econe, 29 de junho de 1976)“

“Essa Missa não é má de uma forma meramente acidental ou extrínseca. Há algo nela que é verdadeiramente mau. Ela foi feita com base no modelo da Missa de  Cranmer e Taize. Como eu disse em Roma, para aqueles que me entrevistaram: É uma missa envenenada ” (. Abp Lefebvre, 1981, veja: ‘Biografia de Marcel Lefebvre, p.465)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Religião do Homem

Ou pela dificuldade do empreendimento, ou por uma concepção ao espírito do tempo, o fato é que, na execução do plano traçado pelo Concílio Vaticano II, em largos meios católicos, o esforço da adaptação foi além da simples expressão mais ajustada a mentalidade contemporânea. Atingiu a própria substância da Revelação. Não se cuida de uma exposição da verdade revelada,em termos que os homens facilmente a entendam; procura-se, por meio de uma linguagem ambígua e rebuscada, mais propriamente, propor uma nova Igreja, ao sabor do homem, formando segundo as máximas do mundo de hoje. Com isso, difunde-se, mais ou menos por toda a parte, a idéia de que a Igreja deve passar por uma mudança radical, na sua Moral, na sua Liturgia, e mesmo na sua Doutrina. Nos escritos, como no procedimento, aparecidos em meios católicos após o Concílio, inculca-se a tese de que a Igreja tradicional, como existira até o Vaticano II, já não está a altura dos tempos modernos. De maneira que ela deve transformar-se totalmente.
E uma observação radical, sobre o que se passa em meios católicos, leva à persuasão de que, realmente, após o Concílio, existe uma nova Igreja, essencialmente distinta daquela conhecida, antes do grande Sínodo, como única Igreja de Cristo. Com efeito, exalta-se como princípio absoluto, intangível, a dignidade humana, a cujos direitos submetem-se a Verdade e o Bem. Semelhante concepção inaugura a Religião do homem. Faz esquecer a austeridade cristã e a bem-aventurança do Céu. Nos costumes, o mesmo princípio olvida a ascética cristã, e tem toda a indulgência para o prazer mesmo sensual, uma vez que na Terra, é que o homem há de buscar sua plenitude. Na vida conjugal e familiar, a Religião do homem enaltece o amor, e sobrepõe o prazer ao dever, justificando, a esse título, os métodos anticoncepcionais, diminuindo a oposição ao divórcio, e sendo favorável à homossexualidade e à co-educação, sem temer a sequela de desordens morais, a ela inerentes, como consequência do pecado original. Na vida pública, a Religião do homem não compreende a Hierarquia e propugna o igualitarismo próprio da ideologia marxista e contrário ao ensinamento natural e revelado, que atesta a existência de uma ordem social exigida pela própria natureza. Na vida religiosa, o mesmo princípio preconiza um ecumenismo que, em benefício do homem, congrace todas as religiões e almeja uma Igreja como sociedade de assistência social, e torne ininteligível o sagrado, só compreensível em uma sociedade hierárquica. Daí a preocupação excessiva com a promoção do clero, cujo celibato se considera algo absurdo, bem como o teor da vida sacerdotal singular, intimamente ligado ao seu caráter de pessoa consagrada exclusivamente ao serviço do altar. Em Liturgia, rebaixa-se o sacerdote a simples representante do povo, e as mudanças são tantas e tais que ela deixa de representar, adequadamente, aos olhos do fiel, a imagem da Esposa do Cordeiro, Una, Santa, Imaculada. É evidente que o relaxamento moral e a dissolução litúrgica não poderiam coexistir com a imutabilidade do dogma (Pastoral, "Aggiornamento e Tradição" em "Por um Cristianismo autêntico", p. 360-362). Estamos, pois, diante de uma nova religião, a religião do homem.

Mayer, Dom Antonio de Castro. Boletim Diocesano, abril de 1972

Foi também publicado pelos Dominicanos aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Igreja do Vaticano II não pode ser a Igreja Católica


Em uma entrevista concedida ao Jornal da Tarde, Dom Antônio de Castro Mayer, ex-Bispo de Cam­pos e líder dos sacerdotes tradicio­nalistas, criticou a conduta do Vati­cano em relação ao teólogo Leonar­do Boff e à teologia da libertação e classificou como doloso o recente indulto concedido pela Santa Sé, autorizando, em determinadas cir­cunstâncias, a missa tradicional. O prelado acusou também a Igreja atual de heresia, afirmando que a Igreja que adere formal e totalmente ao Concilio Vaticano II, que é heréti­co, não pode ser a Igreja de Jesus Cristo.

É o seguinte o texto da entre­vista do prelado:

Os católicos estão divididos quanto ao recente documento do Vaticano contra a teologia da liber­tação. Alguns o acham muito positi­vo, enquanto outros o acusam de ser ambíguo. Qual sua opinião sobre o documento e sobre os catecismos que hoje estão em circulação e di­vergem da doutrina tradicional da Igreja? 

No documento do Sr. Cardeal Ratzinger sobre a teologia da liber­tação, ou teologias da libertação, há uma tentativa de explicá-las, mais do que uma condenação. O docu­mento censura apenas a infiltração da análise marxista nessas teolo­gias. O estardalhaço em torno do "teólogo" Boff terminou numa con­córdia pacífica. Não houve nem re­tração, nem propriamente explica­ção pública! Quanto aos catecismos, tam­bém desceu o silêncio sobre as ob­servações do Cardeal Ratzinger fei­tas em Notre Dame. Enquanto não se elimine na missa os equívocos que lhe alteram a ortodoxia, não se protege suficientemente a Fé. Vige sempre a lei fundamental: "legem credendi lex statuat supplicandi". Na raiz de todo esse mal está o falso ecumenismo instalado com o Vati­cano II. Como dissemos em outra ocasião, o ecumenismo conciliar apresenta-se mais como uma práxis que como uma doutrina.A doutrina encontra-se na de­claração Dignitatis Humanae, com a qual o Concilio Vaticano II quis sancionar, como direito natural do homem, a liberdade religiosa, en­tendida como liberdade de religião. Para a doutrina católica, esse direito seria uma aberração lógica, se antes não fosse uma blasfêmia.De fato, é impensável que a Igreja, cuja voz é a mesma voz de Deus, possa afirmar o direito do ho­mem de escolher entre as mais variadas concepções humanas de Deus, contra a Verdade única quo Deus mesmo revelou de Si.Sobre essa doutrina contida na declaração conciliar, já dissemos que é herética. O Vaticano II, declarando direito natural do homem seguir a religião ditada pela própria consciência, ou não seguir nenhuma, proclama o direito no erro. Ora, o erro não pode ser fundamento de direito algum. O erro é contra a na­tureza humana feita para a verdade. Como pode ele reivindicar conformi­dade com essa natureza? Acresce que, nessa matéria, há uma lei divi­na que importa na obrigação por parte do homem de professar a reli­gião católica. Como poderia a Igreja conceder um direito contra essa Vontade Soberana? Pior ainda: co­mo poderia dizer que esse direito contra a Vontade Divina é um direi­to natural, fundado pois na própria natureza humana! Só admitindo quo o homem está acima de Deus! Ora, isso é pior que heresia: é uma aberrante apostasia! Portanto o concilio Vaticano II proclamou uma heresia objetiva. Os que o seguem e o aplicam tem demonstrado uma pertinácia que normalmente, caracteriza uma heresia formal. Ainda não os acusamos categoricamente dessa pertinácia para dirimir as mínimas possibilidades de ignorância sobre questões tão graves. De qualquer modo, mesmo que essa pertinácia não se manifestasse na forma de uma efetiva ofensa da Fé, manifesta-se claramente na omissão em defendê-la. A Igreja que adere formal e totalmente ao Vaticano II com suas heresias não é nem pode ser a Igreja de Jesus Cristo. Para pertencer a Igreja Católica, a Igreja de Jesus Cristo, é preciso ter Fé, ou seja, não pôr em dúvida ou negar um artigo sequer da Revelação. Ora, a Igreja do Vaticano II aceita doutrinas que são heréticas, como vimos. Pode-se admitir, porém, a possibilidade de que haja fiéis em boa fé que não sabem ter o Vaticano II aderido à heresia. Mas, e os bispos? É difícil admiti-lo, mesmo não excluindo como possibilidade absoluta. Quanto à possibilidade de que um papa governe a Igreja rejeitando o que ela definiu, a história registra o caso de Honório I, condenado postumamente pelo III Concilio Ecumênico de Constantinopla e pelo Papa S. Leão II por ter "permitido com uma traição sacrílega que fosse manchada a fé imaculada".É certo, porém, que a Igreja Católica é a única esposa de Cristo. Não há outras. Apresentá-la como "uma entre outras" é equiparar a verdade ao erro, o que é a essência de toda heresia. Uma igreja engajada irreversivelmente nesse ecume­nismo pós-conciliar não é a Igreja de Cristo, Igreja Católica Apostólica Romana. Os fiéis não podem seguir seu ensinamento. Os católicos, para se conservarem fiéis aos ensina­mentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem estar alertas e vigilantes para não se deixarem levar por essa falsa igreja.

A notícia do indulto para a missa tradicional causou satisfação a Monsenhor Lefebvre e irritou os progressistas. Posteriormente, porém, ao tomar conhecimento do documento vaticano sobre o assunto, Monsenhor Lefebvre fez uma revisão de sua posição inicial e reagiu menos positivamente. Conhecendo o documento do vaticano, qual a sua opinião?

À primeira vista, e com certa verdade, a iniciativa do Vaticano envolve o reconhecimento, não apenas do apego que muitos católicos, em todo o mundo, mantem à sua missa, como, outrossim, do valor intrínseco do Ordo Missae tradicional. Creio que Monsenhor Lefebvre pretendeu salientar esse aspecto da atitude papal, que seria o aspecto positivo. Dos progressistas só se poderia esperar deplorações. Creio que eles só se agradariam com uma missa inteiramente modernista, ao sabor das aberturas socioculturais do mundo atual. Sem julgar as in­tenções, objetivamente, o Indulto pareceu-nos uma medida dolosa. Seria um Indulto doloso. Doloso porque, tomando o mesmo título de Indulto, insinua que ab-roga o Indul­to perpétuo anteriormente concedi­do por S. Pio V, com o peso de sua autoridade apostólica, a todos os sacerdotes, para sempre e em qual­quer parte celebrarem segundo o missal tradicional; doloso porque, com aparência de ser favorável aos que são fiéis à missa tradicional, na realidade condiciona-os à boa von­tade dos bispos contrários a essa missa; doloso, enfim, porque, antes desse Indulto, ninguém seriamente punha em dúvida a liceidade da mis­sa tradicional. Vem agora um "in­dulto" concedendo-a, apenas em alguns casos. Ele, portanto, pressu­põe que a missa de sempre tenha si­do suprimida.

Que relação há entre a missa tridentina e as questões da fé conti­das no manifesto episcopal que o Sr. e Monsenhor Lefebvre dirigiram ao Papa em novembro do ano pas­sado?

Há uma relação indeclinável entre a missa e a fé. É dos tempos de S. Celestino I o axioma declaran­do que a fé é professada na oração: "Legem credendi lex statuat supplicandi". De onde não se entende missa sem fé. Será ortodoxa a missa que contiver uma profissão de fé or­todoxa. Foi o que salientamos em nosso manifesto episcopal. Nele mostramos que a nova missa pós- conciliar acolhe no culto católico postulados da heresia luterana. Por isso a nova missa é inaceitável. Que­rer impô-la caracteriza uma perse­guição religiosa, análoga à das auto­ridades pagãs que impunham aos cristãos queimar incenso aos ídolos. Com efeito, três coisas essenciais da missa católica estão em oposição frontal ao luteranismo. Segundo os protestantes, não há sacerdócio hie­rárquico, distinto e superior ao sa­cerdócio comum de todos os fiéis (segundo a doutrina católica, o sa­cerdócio hierárquico é indispensável para que haja missa); não admitem os protestantes uma presença real física de Jesus Cristo, após a consa­gração, admitem uma presença real, mas apenas espiritual, como a presença de Jesus Cristo onde dois ou três se reúnem em Seu nome (na doutrina católica, pela transubstanciação realizada na missa, Jesus Cristo está fisicamente presente sob as espécies de pão e vinho); final­mente, rejeitam os protestantes que a missa seja sacrifício propiciatório (a missa, define o Concilio de Trento, é um sacrifício não só de louvor e ação de graças, mas sobretudo propiciatório).A nova missa, segundo a des­crição que dela faz o "institutio" do Missal de Paulo VI, contém os três postulados protestantes. Basta ler o no. 7 da "Institutio" na edição de 1969, que a edição de 1970 fingiu corrigir. Dom Gueranger salienta o ''sensus fidei" dos fiéis que está na base de sua infalibilidade "in credendo". Não temos dúvida em afirmar que a firmeza com que suporta­ram sacrifícios e privações que acar­retou a muitos sua fidelidade à mis­sa de sempre constituiu valiosa bar­reira que impediu prevalecesse o en­gano, dolosamente difundido, de que a missa tradicional teria sido, ou pudesse ser, algum dia ab-rogada pela Igreja.

É a primeira vez que o Sr. faz, em público, declaração desse teor. É lícito a um Bispo acusar documen­tos oficiais da Santa Sé de desvios heréticos? Essa atitude não está em contradição com sua condição de Bispo? 

São Tomás não pensa assim. Ele elogia a atitude de São Paulo, ao resistir em público a São Pedro, che­fe da Igreja, porque estava em peri­go a fé. E o Doutor comum dá a nor­ma. Em relação aos erros dos prela­dos, São Tomás recomenda aos sú­ditos que não se acanhem de corri­gir os prelados especialmente se a falta é pública e haja perigo para a multidão. Não é diverso o ensinamento do grande Papa Inocêncio III, que reconhece que um Papa pode ser julgado quanto à fé. A verificação desses fatos não deve levar os católicos ao desâni­mo, porque nossas esperanças es­tão na maternal proteção da Virgem Santíssima, nossa protetora e advo­gada junto ao Trono de todas as graças.

(Jornal da Tarde, 06/11/1984)