quinta-feira, 31 de março de 2016

Defender a personalidade a qualquer custo.

Comento brevemente os esclarecimentos assinados por Dom Tomás. De fato estão esclarecendo alguma coisa? Defende-se a personalidade, pois afinal de contas, como Dom Tomás mesmo disse: "Um bispo é um bispo."

Diz Dom Tomás:

"No Catecismo de São Pio X está dito que somente a Santa Igreja Católica recebeu o carisma de fazer milagres. Isto nunca será dado por Deus às falsas religiões porque Deus nunca favorecerá o erro, caso contrário Ele não seria Deus.
Pergunta-se então como pode-se conceber um milagre numa Missa Nova ou mesmo entre pessoas que não são católicas? Isto é possível? Se for para a conversão destas pessoas não há nenhum impedimento. Os milagres são realizados por Deus para confirmar a verdade e assim fazendo conduzir as almas a Deus, ou seja, à Igreja Católica pois a Igreja Católica é a reunião das almas que estão unidas a Deus aqui na terra, no Purgatório e no Céu."

Fico feliz Dom Tomás, por Vossa Excelência considerar o catecismo como fonte segura da verdade. Vale lembrar que a qualquer católico, para a sua salvação, é necessário que saiba o catecismo. Não é necessário que sejamos doutores em teologia ou filosofia, mas tenhamos o belo senso comum católico sobre as coisas deixadas por Deus a sua Santa Igreja. Coisas Santas sabiamente disponibilizadas em nossos catecismos. Foi assim que aprendi, mesmo quando estava no modernismo. Digo isso porque recentemente tivemos notícia que, até colocar em dúvida o que está escrito no catecismo, está sendo permitido para justificar o injustificável: Os dizeres de Dom Williamson sobre o milagre na missa nova. Vale lembrar que, Dom Marcel Lefebvre já dizia que qualquer menino de 5 anos, com seu catecismo, pode questionar um bispo. Espero que assim permaneça. Ou pelo menos, eu e os fiéis orientados por Padre Cardozo permaneceremos assim.
Brilhatemente Vossa Excelência prossegue dizendo que os milagres são para a conversão das almas. Fato novo. Até então, os defensores de Dom Williamson e do suposto milagre, ou provável prodígio, diziam que Deus poderia sim fazer o milagre na missa nova, deixando os pobres incautos, que se enganam pensando ser católico a missa protestantizada da falsa religião, permanecerem no erro modernista. Ora, um milagre que acontece e permite que o fiel permaneça no meio da mais grave de todas as heresias atende às condições estabelecidas acima? Claro que não. Padre Cerruti deixa bem claro isso. Mas enfim Dom Tomás, deixo uma dúvida bem clara, para ser respondida sem delongas, aquelas do tipo SIM, SIM, NÃO, NÃO: Em Buenos Aires houve milagre eucarístico?

Continua Dom Tomás:

"Se houve milagre eucarístico na Nova Missa foi para a conversão dos que o presenciaram ou que tiveram notícia dele. Que seja certo que tenha havido milagre ou não, isto não pertence às verdades nas quais temos que crer para nos salvar. Que seja possível um milagre eucarístico, caso tenha havido consagração, é uma afirmação que pode ser defendida sem incorrer a nota de heresia. Se alguém não crer nesse milagre ou se ele achar inconveniente que ele tenha ocorrido numa Missa Nova, ele não incorre em nenhuma reprovação do ponto de vista da fé católica. A questão de saber se houve realmente milagre ou não houve é uma questão aberta. Quem se interessar por ela que procure as provas que demonstram a realidade ou a impostura deste “milagre”. Mas afirmar que uma hóstia consagrada e profanada não possa sangrar para a conversão dos padres e dos fiéis afim de que eles abandonem o modernismo e venham para a Tradição não parece sensato."

Continuamos de acordo Dom Tomás. O suposto milagre, ou provável prodígio, não é questão de fé obrigatória para a salvação de nossas almas. Mas Vossa Excelência deixa duas dúvidas no ar. Primeiro, por que Dom Williamson insiste tanto em defender o suposto milagre, ou provável prodígio? Ele mesmo diz no fatídico Comentário Eleison que nós precisamos conformar as nossas mentes a vontade de Deus, numa demonstração bastante clara de que aquele milagre ali é fato consumado. Pois bem, onde está o magistério da Igreja para afirmar que aquele fato foi milagre? Recebi comentários de quem defende Dom Williamson alegando que ele foi imprudente ao afirmar que em Buenos Aires houve milagre. Tomei conhecimento que os Dominicanos, ou pelo menos de um padre dominicano dizer que não se deve falar desses milagres, que na situação atual da Igreja é muito difícil que tenha ocorrido um milagre lá. Ainda dentro desta dúvida, Dom Williamson tem jurisdição para afirmar que em Buenos Aires houve milagre? Dom Lefebvre dizia e Vossa Excelência mesmo disse na sagração de Monsenhor Faure que os bispos sagrados sem a autorização de Roma estão aqui para ministrar os sacramentos e confirmar os fiéis na fé. Nada mais além disso. Defender milagre em Buenos Aires, em um paróquia modernista acaso é confirmar os fiéis na fé? Não me parece coerente isso Dom Tomás. Sinceramente, não me parece. Além disso como já disse anteriormente, levanto novamente a questão: Quem abandonou o modernismo com o suposto milagre, ou provável prodígio? Deixaram de ser modernistas por ventura? Alguma mínima repulsa ao modernismo conciliar naquela paróquia? Santo Afonso de Ligório nos alerta que Deus abandona a alma obstinada no pecado. Será que não seria essa a realidade espiritual de muitos que andam engolindo a heresia modernista? Será um erro pensar assim? “Porque sua ira está tão pronta como sua misericórdia; e sua cólera fita os pecadores” (Ecl 5,7)

Dom Tomás continua:

"Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Isto é de fé, pois é Nosso Senhor Ele mesmo que o afirma. Isto é o bom senso mesmo, pois um espinheiro não pode dar os frutos que só a figueira pode dar.
Logo, devemos concluir que nenhum bem poderá haver entre os infiéis, os protestantes e os modernistas? A questão não é tão simples assim. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa e portanto devemos concluir que nada de bom pode sair da vontade perversa do demônio e dos que entregaram sua alma a ele. Nada de bom podia sair da inveja de Caim contra Abel. Nada de bom podia sair do ódio e da incredulidade dos fariseus contra Nosso Senhor. No entanto nem todo aquele que está na Igreja Conciliar vive do ódio, da inveja e da incredulidade. Alguns ainda querem se confessar, rezar e melhorar. Há ainda, provavelmente, árvores boas entre os progressistas, apesar do Progressismo; almas que estão lá mas não são de lá. As almas são ora movidas pelo espírito bom (do qual não pode proceder nenhum fruto mal), ora pelo espírito mal (do qual nenhum fruto bom pode proceder). Mas talvez nos perguntem. E da Nova Missa? E dos novos Sacramentos? Pode sair frutos bons destas árvores ruins? A resposta não é simples. É preciso distinguir entre o rito e o sacramento. Nós costumamos completar o rito do Batismo porque ele foi mutilado. Mas não refazemos o Batismo pois se ele foi válido, ele não pode ser dado novamente sem grave ofensa à Deus. Logo, o Batismo, mesmo entre os progressistas tem algo bom e muito bom, que é o fato de apagar o Pecado Original e nos tornar filhos de Deus, templos da Santíssima Trindade e algo mal que é a omissão dos exorcismos presentes no rito antigo. O mesmo se diga da Missa Nova. Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer pensavam que ela podia ser válida quando todas as condições necessárias para isto estivessem reunidas. Mas nem por isso eles deixaram de condená-la porque a Missa Nova conduz à heresia por causa do seu rito. Rito ruim, sacramento bom, quando há sacramento."

Concordamos novamente Dom Tomás, a árvore má não dá bons frutos. E foi isso que Dom Williamson disse? Não, ele disse o seguinte: "… a árvore metade boa, metade má, pode dar frutos metade bons, metade maus" (Eleison 385). Alguma semelhança Dom Tomás? Agora somos nós acusados de reinterpretar a sagradas letras. O que Dom Williamson fez? Uma nova parábola? Mas então vou usar do mesmo exemplo dos sacramentos e dos ritos. Vossa Excelência diferenciou os sacramentos do rito. Sacramentos bons, rito ruim. E os ortodoxos? Sacramentos bons? Sim, provavelmente. Padres que podem ser validamente ordenados, acreditam na transubstanciação, enfim, condições necessários para um sacramento válido. Frutos bons? Vamos agora ao rito. Liturgia de São João Crisóstomo. Desculpem-me se estiver enganado, mas parece que os ortodoxos cismáticos ainda guardam esta maravilha de liturgia. Enfim, árvore boa? Frutos bons? Pois bem, porque não podemos frequentar uma missa ortodoxa? Não podemos ir Dom Tomás. Eu não posso frequentar uma missa ortodoxa. E porque então insistimos em procurar "bons frutos" na missa nova? Será que existem mesmo? Quantos sacramentos lá são válidos? Confissões comunitárias? Missas sacrílegas. Quem engana essa gente é o demônio. Duro de dizer, mas é a realidade. Rezemos para saiam de lá. Rezemos. Agora porque devo concordar que um bispo que se diz tradicional, diga que se um fiel nutrir sua fé na missa nova, que fique por lá. A árvore má é a vontade perversa como Vossa Excelência mesmo cita São Tomás de Aquino. A missa nova possui uma vontade perversa. Vontade de destruir a fé católica. Monsenhor Lefebvre dizia que a missa nova é intrisicamente má. Sabemos muito bem disso. Então como poderemos esperar que as pessoas nutram sua fé lá? Dom Tomás, fazem muitos anos que o Sr. não frequenta uma missa nova. Sei disso. Saia do mosteiro um dia, escolha uma paróquia de Nova Friburgo e faça uma pequena entrevista com alguns fiéis. Coisas básicas de catecismo. Pergunte se o inferno existe. O que é a Santa Missa. Sobre a modéstia. Como andam as confissões. Digo a Vossa Excelência, vá disposto a voltar horrorizado.

Vou deixar aqui alguns exemplos dos "bons frutos" da missa nova, missa essa que Dom Williamson diz ser capaz de alimentar a nossa fé. Exemplo de missas comuns nas paróquias do Brasil afora. Não é muito difícil achar aberrações muito piores.

Uma missa comum nas paróquias brasileiras:


Mais uma missa comum nas paróquias brasileiras:


Missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida:


E pra terminar Dom Tomás, deixo as seguintes perguntas a serem objetivamente respondidas: 

1 - Dom Williamson disse que é possível nutrir a fé na missa nova. Sim ou não?

2 - Julga-se que em virtude da validade da missa nova, poderia frequentá-la. Sim ou não?

3 - A árvore má pode dar frutos mais ou menos bons? Sim ou não?

4 - Em Buenos Aires houve milagre eucarístico? Sim ou não?

Essas dúvidas sim precisam ser esclarecidas. Sua benção.

terça-feira, 29 de março de 2016

Missão Nossa Senhora Aparecida

Prezados fiéis atendidos pelo Rev. Padre Cardozo, Ir. Cristiana publicou uma carta mostrando seu parecer sobre os recentes problemas acontecidos na finada resistência.
Ir. Cristiana sempre foi uma religiosa que admirei muito, primeiro por acompanhar a luta de Mosenhor Lefebvre desde o início. Ela esteve nas sagrações de 1988, e tornou-se religiosa pelas mãos da irmã de sangue de nosso querido bispo.
Viu vários clérigos caírem diante da crise, e continua, como nos pede Padre Cardozo, firme e digna!
Bom, coloco aqui os frutos da boa obra da Ir Cristiana no município de São Gonçalo do Pará / MG, hoje Missão Nossa Senhora Aparecida, que muitos fiéis que acompanham o padre talvez não conheçam. Ela, sozinha, construiu uma Igreja dedicada a Padroeira do Brasil, que talvez muitos marmanjos não conseguiram fazer. Quem sabe, nós das outras missões consigamos ter um dia um Igreja como essa.
Em tempo, a construção deve acomodar cerca de 150 a 200 pessoas.
 




Fotos retiradas do Google Street View.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Dom Williamson fala sobre a Missa Nova (II)

Foi mostrado no vídeo passado,a catequese de Dom Williamson com sua controvertida resposta a fiel birritualista se ela deveria participar da missa nova.

Vejamos então o que dizia Dom Williamson, em outros tempos sobre a mesma missa.



Dom Williamson, porque a mudança de discurso?
Podemos buscar a fé em uma missa ilícita?

quarta-feira, 16 de março de 2016

Viva Cristo Rei!!

Hoje, 16/03/2016, recebemos a primeiras fotos do Padre Cardozo em sua visita ao México. Graças a Deus os fiéis o receberam muito bem.
O Padre visitou o túmulo General Cristeiro Henrique Gorostieta, morto em 02-06-1929.
Deus preserve em nosso querido padre a alma combatente contra o espírito liberal e modernista dos dias atuais...




Viva!!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Calúnias

Fiquei surpreso hoje com uma denúncia surgida em redes sociais que dizia.

"Igual destruição  fizeram na CASA de dna. Cristiana (SIC), que construiu com recursos próprios uma capela, dentro de sua casa, que foi arrombada e saqueada. (grifos meus)

Salve Maria"

A pessoa que fez essa acusação terá 48 horas para se retratar publicamente, ou então sofrerá as sanções legais, ou então apresentar provas de que a casa da Sra Cristina foi arrombada e saqueada.

Código Penal:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena: Detenção, de 6 meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena: Detenção, de 3 meses a um ano, e multa.

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena: Detenção, de um a seis meses, e multa..

Eugênio Mendes

domingo, 13 de março de 2016

Vão-se os anéis, ficam os dedos.

A despeito de sua brevidade, o estudo demonstra de forma bastante clara que a Novus Ordo Missae – considerando-se os novos elementos amplamente suscetíveis a muitas interpretações diferentes que estão nela implícitos ou são tomados como certos -- representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento. [1]

Alguns dias atrás comentava com alguns fiéis e até mesmo com Padre Cardozo, que certa vez li um livro, acredito que em virtude de algum trabalho que necessitava fazer na escola, intitulado "Quem mexeu no meu queijo". O livro tratava das mudanças as quais estamos sujeitos em nosso ambiente de trabalho, às vezes sem mesmo querermos que isso aconteça.
Pois bem, Nosso Senhor permitiu que nosso queijo fosse mexido. Os motivos? Ele sabe. De qualquer forma não reclamamos.
Hoje foi a última Missa celebrada na Missão Nossa Senhora das Graças, no local de costume, gentilmente cedida por Sr Valmir e Sra Cristina durante um bom tempo. Deus nos dará outro lugar em breve. Então, oficialmente a missão não se encontra mais no endereço habitual. Nestes 4 anos, desde que eu particularmente abandonei a missa nova, o esforço para termos a missa sempre foi bastante grande. Gastei parte considerável do meu tempo, com a Graça de Deus, e sou eternamente grato a Nossa Senhora por isso, para que pudéssemos conseguir a missa católica sempre em algum canto da região metropolitana de BH. Faria tudo de novo se fosse necessário.
Assim Dom Williamson, apesar de Vossa Excelência considerar que um fiel pode encontrar  a fé na missa nova. Lá não volto mais. Continuo com meu esforço junto ao Padre Cardozo.
Em tempo, hoje foi divulgada uma missa com Sua Excelência Reverendíssima Monsenhor Faure na nossa missão, que se realizaria amanhã 14/03, em Contagem.
O motivo alegado é que Dom Faure gostaria de visitar seus crismandos, o que seria perfeitamente lícito, porém sabemos que o fato não é esse. Em meados de dezembro, Dom Tomás passou a não recomendar as assistências das missas de Padre Cardozo, e foi seguido por Monsenhor Faure nessa não recomendação, SEM NENHUM MOTIVO justificável apresentado aos fiéis.
Assim, nós não convidamos Monsenhor Faure para estar em Contagem. Se vem, usa simplesmente do direito constitucional de ir e vir. Tão pouco podemos negar que ele use de uma casa que nos foi gentilmente cedida. Se algum fiel da Missão Nossa Senhora das Graças estiver presente, estará com o catecismo na mão, como nos recomendou Padre Cardozo.
Continuamos com nosso querido Padre, enquanto ele nos confirmar na fé católica e enquanto Deus permitir.
E se por ventura Monsenhor Faure pretende nos fazer parar de assistir as missas de Padre Cardozo. Não venha, perderá a viagem.
Estamos sem anéis, mas com todos os dedos nas mãos, com a Graça de Deus.

Viva Cristo Rei!

[1]O Breve exame crítiico; Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci, Roma, 25 de setembro de 1969.

terça-feira, 8 de março de 2016

Retratação de Padre Cardozo

Calma... Ops... Calma fiéis que pertencem as Missões de Padre Cardozo. O Padre retrata-se pelo comentário divulgado por Padre Trincado à respeito dos falsos milagres da igreja conciliar. E a prova é o artigo divulgado aqui pelo confrade Geovanne Moreira. Lembrando que em 2014 Padre Cardozo já condenava os milagres da falsa igreja. E  ninguém se escandalizou por isso. Como bem lembrou Geovanne, Padre Cardozo sempre teve a mesma opinião. Não mudou de idéia a respeito da missa nova e suas supostas benéficas consequencias.

Veja a retratação de Padre Cardozo. (publicado sem tradução)

"Quiero hacer público mi agradecimiento al R.P. Trincado... por permitirme mostrar que no soy de naturaleza ángélica, (como muchos por mi voluminosa naturaleza ya lo habrán notado!) que tengo una natura humana débil y sujeta al error. Es cierto lo que dice ese texto !... escrito ante la sorpreza y lo insólito del tema presentado privadamente, una vez refleccionado me retracto públicamente con dos artículos escritos con fechas 9 y 30 de diciembre del 2016, a lo que se puede sumar mi sermón del 28-2-2016 donde cito el Catecismo de San Pio X  sobre este asunto.
Gustaría de ver que el P. Trincado nos muestre que no es un semidios que puede tratar las Sagradas Escrituras a su antojo, y menos un ángel caído, que  defiende lo indefendible y empaña en sofismas la Verdad ."
 
Padre Cardozo

A citação publicada por Padre Trincado


Bom, isso nada mais me parece que DESVIO DO FOCO.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Dom Williamson e o Catecismo (II)

Continuamos uma pequena análise do Comentário Eleison iniciado aqui. (CE 403) Sigamos ao final do artigo primeiramente, pois foi a parte que mais me chamou a atenção a respeito do que foi escrito.

Diz Dom Williamson : “Mesmo Paulo VI condenou a contracepção, emitiu um “Credo” relativamente bom, chorou pela perda das vocações, e falou da fumaça de Satanás entrando na Igreja depois do Vaticano II.”

Vamos por partes: Paulo VI condenou a contracepção? Quando? Paulo VI, na Humanae Vitae, diz: “Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de "paternidade responsável", sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si. [...]Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.”

O Catecismo Romano, II parte, capítulo VIII no item "Razões de ser do Matrimônio", item b, criação da prole como único fim primário, diz claramente, como sempre foi comum em toda a história da Igreja:

"Este é também o único fim primário, por que Deus havia desde o início instituído o Matrimônio. Portanto, crime é gravíssimo, quando pessoas casadas impedem a concepção ou provocam aborto, por meio de medicamentos. Tal proceder equivale a uma ímpia conspiração de homicidas."
Ora bolas, alguns dizem que Paulo VI foi até perseguido por ter escrito essa encíclica, porém foi perseguido porque os liberais gostariam que Paulo VI fosse muito mais aberto do que foi, não obstante foi claramente contrário ao que diz a doutrina da Igreja sobre a procriação no matrimônio. Paulo VI atribui a possibilidade de, por exemplo, um decisão tomada por motivos graves, por problemas psicológicos, mas não especifica claramente quais são os motivos graves. Sabemos que hoje os casais atribuem a diversos motivos, por exemplo, impossibilidade de comprar o carro do ano, a impossibilidade de colocar os filhos na escola mais cara, o fato do PT governar o país, e demais liberalismos do tipo, o controle de natalidade. Seriam estes os motivos graves? Enfim, Paulo VI não consegue esconder seu liberalismo tão pouco nessa encíclica.

Assim, como fiel católico, pediria a Dom Williamson que mostrasse-nos onde Paulo VI condenou a contracepção.[1]

Seguindo, Dom Williamson diz que Paulo VI “emitiu um ‘Credo’ relativamente bom”. O que seria uma coisa “relativamente boa”? Em matéria de fé não há coisas relativamente boas ou relativamente ruins. Lembra-se dos 95% bons do Concílio? Atacamos Dom Fellay com 4 pedras na mão quando este disse que o Concílio Vaticano II era 95% bom. O que fazemos com Dom Williamson agora em situação idêntica? Usaremos da hipocrisia? Pau que dá em "Chico" não dá em Francisco?

E o que seria um “credo relativamente bom”? Paulo VI escreve no seu “credo relativamente bom”: 


“Entretanto, rendemos graças à Bondade divina pelo fato de poderem numerosíssimos crentes dar testemunho conosco, diante dos homens, sobre a unidade de Deus, embora não conheçam o mistério da Santíssima Trindade”. É isso mesmo que você leu... Fiquei pensando que este Credo só não fica devendo mesmo, em nível de ecumenismo e ofensa a primeiro mandamento, a "Nostra Aetate".

Veja o que mais Paulo VI diz no seu “Credo relativamente bom”:

Reconhecendo também que fora da estrutura da Igreja de Cristo existem muitos elementos de santificação e de verdade, que como dons próprios da mesma Igreja impelem à unidade católica, e crendo, por outra parte, na ação do Espírito Santo que suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo desta unidade, esperamos que os cristãos que ainda não gozam da plena comunhão com a única Igreja, se unam afinal num só rebanho sob um único Pastor.”

Senhores, aquilo que sempre atacamos agora virou uma coisa relativamente boa? Ou seja, o que Paulo VI quer dizer com isso, que podemos buscar fora da Igreja elementos de santificação? Ora bolas, os cismáticos ortodoxos possuem a transubstanciação em suas missas, possuem o maravilhoso rito de São João Crisóstomo. Pois bem, o que faremos? Até onde eu sei, continuam sendo cismáticos. Acho que não é necessário dizer com qual espírito Paulo VI escreveu seu Credo "relativamente bom".

[1] Não estou aqui tratando de questões específicas de cada casal. Dúvidas específicas devem ser tratadas com um bom diretor espiritual. Trata-se da doutrina comum da Igreja.

terça-feira, 1 de março de 2016

Pode ser perseguido um padre que ensina o catecismo?

A Resistência vive dias de confusão e discórdia. Após a polêmica sobre os milagres fora da Igreja Católica, outros fatos mais ou menos graves ocorreram. Dom Tomás de Aquino, prior do Mosteiro da Santa Cruz e futuro Bispo, aconselhou a alguns fiéis do estado de São Paulo que não recebessem o Padre Ernesto Cardozo, como já faziam, até que o Padre se entendesse com os Bispos, Dom Williamson e Dom Faure. Não tendo conhecimento de nenhum pronunciamento mais detalhado de Dom Tomás, acreditamos que a discordância tenha relação com os seguintes pontos:
1) O fato do Padre Ernesto Cardozo não aceitar a possibilidade de milagres fora da Igreja Católica
2) Algum eventual desrespeito ou insubordinação do Pe. Cardozo para com Dom Williamson
3) O fato do Pe. Cardozo não aceitar que a “igreja conciliar” é ou faz parte, de alguma forma, da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja Católica.
Trataremos brevemente dos três pontos. 
1) O problema dos milagres.
É certo que alguns teólogos católicos apontam para a possibilidade de Deus fazer milagres fora da Sua Igreja. (Van NoortHervé). Por outro lado, alguns outros simplesmente não tratam do tema (De GrootPesch) e outros aparentemente negam (Ceruti). A autoridade de Santo Tomás de Aquino parece pesar para o primeiro caso, mas não se pode negar que o Catecismo de São Pio X afirme exatamente o contrário. 
“O fiel que ler com retidão de coração a História eclesiástica verá resplandecer a santidade da Igreja, não só na santidade essencial de sua cabeça invisível, Jesus Cristo, na santidade dos Sacramentos, da Doutrina, das Corporações religiosas, de muitíssimos de membros, mas também na abundância dos dons celestes, dos sagrados carismas, das profecias e milagres com que o Senhor (negando-os às demais religiões) faz brilhar  à face do mundo o dote da santidade que está adornada exclusivamente sua única Igreja.” (Breves noções de história eclesiásticas, n°139, Catecismo de São Pio X).

Veremos, contudo, que o mais importante não é essa discussão abstrata, mas o caso concreto proposto por Dom WilliamsonOs leitores de Dom Williamson, seu público, são os católicos da Resistência. O Bispo afirmou ter tratado desse assunto para inspirar nos católicos resistentes a humildade, o reconhecimento de que entre as pessoas da seita conciliar podem haver excelentes católicos. Sobre a humildade há uma vasta literatura, indo da Bíblia até importantes passagens de São Francisco de Sales, Santo Afonso Maria de Ligório e muitos outros santos e teólogos, incluindo um pouco conhecido livrinho de Leão XIII. No mais, coitados de nós se nos consideramos alguma coisa. Ter maior conhecimento da verdade é uma graça e devemos nos esforçar muito para corresponder a ela. Quanto aos fiéis que infelizmente se encontram no meio modernista, também não vi nenhum membro da Resistência afirmar que eles são hereges formais, que estão condenados ou coisa assim. Evidente que grande parte não compreende que aquilo que faz e acreditam não é propriamente a doutrina católica e que, dessa forma, não têm culpa nesse erro. Mas quem nega isso?
Se o problema é a Missa Nova, a quase totalidade dos católicos da tradição não nega que nela é possível haver consagração. Pensam assim porque esse foi o ensinamento de Dom Lefebvre e de Dom Castro Mayer, bastaria repetir as afirmações deles.
Além disso, mesmo entre os teólogos que aceitam os milagres fora da Igreja, além de uma grande prudência para afirmar sua existência, maior ainda do que aquela normalmente usada pela Igreja para confirmar os milagres ocorridos em seu próprio seio, há a seguinte precisão: Esses milagres nunca confirmam as doutrinas dos hereges, mas só aquilo que eles conservam de católico. (A transubstanciação entre os cismáticos, por exemplo.) O respeitado teólogo Gerardus Van Noort afirma o seguinte:
Muitos falam sobre as curas miraculosas de Ivan Serguiev, sacerdote russo mais conhecido como Padre João de Croonstadt. Os fatos históricos não são confirmados, mas, mesmo se verdadeiros, nada provam em favor dos cismáticos, mas apenas das verdades que a igreja Russa conserva da verdadeira religião católica. (VAN NOORT, Tratactus de Vera Religione, 1929, p. 77)
Apliquemos o mesmo aos casos expostos por Dom Williamson. Os supostos milagres, se verdadeiros, apenas provariam que na Eucaristia há o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Tudo bem, mas há quem negue isso dentro da Resistência?! Não é possível. Qual a outra lição a ser tirada dos supostos milagres? Que pode haver consagração na Missa Nova. Certo, e, mais uma vez, quem o nega? Os que pretendem ser seguidores de Dom Marcel Lefebvre é que não o fazem. Qual é o sentido disso tudo? Qual é a razão desse debate? Colecionar citações? O problema maior é que os exemplos de Dom Williamson, no máximo, provariam aquilo que todo o mundo acredita, defenderiam aquilo que ninguém nega. Ou o propósito seria aproximar os fiéis da Resistência da chamada Missa Nova como, claramente, fez o Bispo recentemente ao recomendar a uma fiel que vá a essa missa? Deus o sabe. 

2Eventual desrespeito ou insubordinação do Pe. Cardozo para com Dom Williamson

Até onde sabemos, Pe. Cardozo sempre foi respeitoso com Dom WilliamsonConheci o Padre no início de 2012 (ou pouco antes, não recordo bem) e nunca o vi divulgando as inumeráveis acusações, de ordem doutrinária e moral, feitas contra o Bispo já há um bom tempo. 
Padre Cardozo afirmou que Dom Williamson nem sempre raciocinava bem. Mas isso não é, de modo algum, uma falta de respeito. Consta que Dom Williamson toma remédios que têm como consequência desencadear alguns problemas cognitivos, mas dizer isso não é um xingamento, como alguns podem ter entendido. Pelo contrário, é uma forma de estimular maior tolerância para com o Bispo.
Indo para as questões da Fé, é errado afirmar que Pe. Cardozo é o único insubordinado. Basta pensar que a Resistência se constituiu como um movimento que resistia aos acordos entre a FSSPX e os modernistas de Roma. Pois bem, seu então único Bispo, pelo contrário, afirmou claramente que iria correndo a Roma caso fosse chamado por Francisco. Até onde vi, sem nenhuma condição, sem nenhuma conversão de Roma, como exigia Dom Lefebvre nos seus últimos anos de vida. Certamente muitos padres e fiéis ficaram contra Dom Williamson, insubordinados, mas em silêncio. Quantos hoje aceitariam isso? Com que cara nos apresentamos aos da FSSPX ao afirmamos que eles são acordistas quando nosso Bispo lança uma afirmação dessas? Uma organização cujo líder afirma que fará algo contrário à própria essência dessa organização... exemplo melhor de um casa dividida? Que aumente o número de insubordinados! 
Mas vários foram os momentos de insubordinação. Dom Tomás de Aquino, se bem me lembro, a quando da Crisma de 2012 conferida por Dom Williamson no Mosteiro da Santa Cruz, se viu na desagradável situação de corrigir o Bispo que afirmava Bento XVI ter o “coração tradicionalista”, mas a mente modernista. E atualmente não é apenas o Pe. Ernesto que se pronuncia contra o Bispo inglês: Padre Hewko, Padre Pffeifer, Padre Altamira e o responsável pelo blog Avec l’Immaculée, pelo menos, se opuseram às declarações de Dom Williamson.
Além disso, é necessário considerar que tipo de grupo é a Resistência. Quando a Resistência estava se formando, e isso tem bem pouco tempo, Dom Williamson escreveu alguns artigos explicando qual seria a orientação dessa organização. Uma característica marcante desses comentários é a pregação de uma liberdade ou, no mínimo, de uma grande tolerância para com as mais diversas tendências.
Diversas vezes Dom Richard Williamson afirmou que a Resistência não deveria – e não poderia – ser uma estrutura, um exército bem ordenado. 
“Meu colega aponta que mesmo a Fraternidade do Arcebispo resistiu à Igreja liberal e ao mundo por apenas 30 ou talvez 40 anos, e a situação é um tanto pior agora do que era em seu tempo. Quando a pátria é ocupada pelo exército do inimigo, meu colega conclui, é impossível organizar um exército de defesa. Tudo o que resta é o combate por meio de guerrilhas.”  http://borboletasaoluar.blogspot.com.br/2013/09/comentarios-eleison-resistencia.html
Na sua conferência que ficou famosa por sua afirmação que iria correndo se fosse chamado por Francisco há um importante trecho que confirma sua visão sobre a Resistência.
“Amizade, contato, conselho, auxílio, confirmar suas crianças, que é o estou fazendo aqui, mas mais que isso... eu não tenho autoridade. Eu não tenho autoridade. Eu tenho a ordem episcopal, mas essa ordem não é o mesmo que jurisdição. [...] Mas eu não fundei nenhuma sociedade. Se eu construísse uma sociedade, eu precisaria da permissão de Roma. Não faria algo por mim mesmo. Eu não tenho autoridade. Eu não posso ter autoridade. Amizade, contato, conselho, auxílio, sem problema. Autoridade, problema. [...] Passa passar da teoria para a realidade. Na realidade... você consegue imaginar que comandar padres da resistência seja o mesmo que pastorear gatos? Você consegue imaginar? Seria isso inimaginável? Neste caso, valeria a pena tentar se se está destinado a falhar? Pode ser melhor não tentar do que tentar e falhar. Alguns de vocês podem pensar que seria melhor tentar porque isso talvez possa dar certo. Eu não tenho a autoridade. [...] Então, naquilo que é chamado de movimento da Resistência, vocês vão ter um problema de autoridade.

Acostumem-se com a ideia. (Dom Williamson. Conferência em Post FallsIdaho, 01/06/2014 - 47:12 minutos até 51:00 minutos, com intervalos. https://www.youtube.com/watch?v=yVxp0rl6A18 )

Pouco depois, Dom Williamson afirmará que é mais realista, na sua opinião, atuar como uma rede de pessoas em coordenação, não numa instituição propriamente dita. Com isso, entendemos que a Resistência é uma espécie de confederação de sacerdotes na qual Dom Williamson, até então único Bispo, tinha um papel preponderante por sua qualidade de Bispo, mas não uma estrutura organizada, propriamente hierarquizada. 
Essa concepção de organização é até coerente com o entendimento de Dom Williamson a respeito das diferentes possibilidades que se apresentam para o católico nesses momentos de crise. Em um dos seus Comentários, o Bispo escreveu o seguinte: 
Não é nada fácil, mesmo para os bispos, enxergarem direito quando o Bispo de Roma está enxergando torto. Segue-se que aqueles que pela graça de Deus – e por nada mais – enxergam direito, devem ter uma compaixão de 360 graus pelas almas tomadas pela confusão não totalmente por sua própria culpa. Assim, parece-me, se Tiago está convencido de que para salvar sua alma ele deve permanecer na Neoigreja, eu não preciso martelá-lo para que saia dela. E se Clara está convencida de que não há nenhum problema grave dentro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, eu não devo forçá-la a entender que sim, há. E se João não pode ver nenhuma outra maneira de manter a Fé sem acreditar que de algum modo a Sé de Roma está vacante, eu preciso não mais do que insistir com ele que essa crença não é obrigatória.” http://borboletasaoluar.blogspot.com.br/2014/03/comentarios-eleison-politica-da.html
Então, se Tiago, Clara e João podem, segundo Dom Williamson, sustentar opiniões diversas sobre como reagir frente o estado atual da Igreja (opiniões que vão da adesão à neoigreja até o sedevacantismo), poderá também Padre Ernesto ter sua opinião? Ou ele e os seus amigos são os únicos que devem ser evitados? Os que pretendem discordar do Bispo nesse ponto tomem cuidado, pode ser insubordinação. 
Além disso, pela própria organização da Resistência, poderia algum Padre ou mesmo um Bispo, proibir outro de fazer seu apostolado? Fique claro que Dom Tomás não proibiu os fiéis de receber Padre Ernesto, apenas recomendou que não o recebessem. Falamos isso especialmente para os fiéis, para que entendam que, salvo melhor entendimento, não há vínculo de subordinação na Resistência, conforme o próprio Dom Williamsonafirmou. Uma recomendação não é uma ordem. Dom Tomás sendo Padre ou Bispo, também não tem autoridade para proibir um ou outro padre de fazer seu apostolado. Ele sabe disso, falo aos fiéis.
Quanto ao argumento de que Dom Williamson é Bispo e, portanto, deve ser respeitado e obedecido, não é necessário nem mesmo comentar. Espanta que alguns da Resistência tenham sequer cogitado isso. Dom Fellay é tão Bispo quanto Dom Williamson, logo...

3A recusa do Pe. Cardozo em aceitar que a “igreja conciliar” é ou faz parte, de alguma forma, da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja Católica

A hipótese que a igreja conciliar é ou faz parte, de alguma forma, da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja Católica, ao que parece, tem ganhado a adesão de importantes setores da Resistência, principalmente de suas lideranças. 
Qualquer católico que conheça o mínimo de doutrina entenderá as dificuldades teológicas que a situação atual levanta e a necessidade de reconhecê-las e, na medida do possível, respondê-las. Se concordamos com a necessidade de buscar algumas respostas, temos graves dúvidas quanto à resposta apresentada por algumas lideranças da Resistência.
Esperamos voltar ao assunto oportunamente. Agora, contudo, fiquemos no caso do Padre Ernesto Cardozo. O fato dele não aceitar a hipótese de que a “igreja” conciliar de alguma forma pode ser identificada com a Igreja Católica tem sido interpretado como sinal de seu “eclesiavacantismo”, neologismo cunhado para nomear a doutrina que diz estar a Igreja vazia, devido à apostasia do clero. O eclesiavacantista seria aquela pessoa que afirma a Igreja Católica está reduzida a um pequeno grupo, identificável com o dos tradicionalistas. 
Antes de acusar o Padre Ernesto disso, seria preciso provar que é esse o seu pensamento. Pelas ações e homilias dele que pudemos ver, não é possível atribuir o tal eclesiavacantismo a ele. O fato de ele aceitar padres consagrados no novo rito já prova isso. Aliás, é muito fácil atribuir essa posição a outras pessoas. Dom Williamsontambém poderia ser acusado desse “erro”:
            Assim, onde Monsenhor Lefebvre viu claramente que a Igreja conciliar, ao perder todas as quatro marcas da Igreja Católica (una, santa, católica, apostólica), não era mais a Igreja Católica, Monsenhor Fellay (Superior Geral desde 1994) e o Pe. Nicholas Pfluger (Primeiro Assistente desde 2006) insistem hoje que só pode haver uma Igreja, e então a Igreja Conciliar é a Igreja Católica. Assim, naturalmente, se Monsenhor manteve a FSSPX a uma distância segura da Igreja conciliar, Monsenhor Fellay e o Pe. Nicholas Pfluger querem abolir essa distância e trazer a FSSPX de volta ao interior dessa Igreja que é conciliar. E nem Monsenhor Fellay e nem o PePfluger se sentirão católicos até que eles tenham atingido esse fim.      
O próprio Dom Lefebvre poderia cair nessa condenação já que são ele as seguintes frases retiradas do texto Reflexões sobre a Suspensão a divinis de 29 de julho de 1976: 
“A Igreja que afirma esses erros é cismática e é herética. Essa Igreja Conciliar, portanto, não é católica.” “Na medida em que o papa, bispos, padres ou fiéis aderem a essa nova Igreja, eles separam-se da Igreja Católica.
A situação atual é tão terrível que mesmo um sacerdote vinculado ao Vaticano e crítico dos tradicionalistas chegou ao ponto de se perguntar “onde está a Igreja” após o Vaticano II. E continua seu questionamento interrogando “é ainda ela a mostrar-se nas consequências do pós-concílio, outra trata-se somente de uma irreconhecível contrafação?” (Brunero GherardiniConcílio Vaticano II, um debate a ser feito, 2011, p.228) Ora, na Resistência temos que ter uma posição mais branda do que a daqueles que moram no próprio centro do modernismo? Entre nós não vale a “compaixão de 360 graus” defendida por Dom Williamson?

Fico feliz ao ver que os defensores dessa tese atuam intrepidamente, inclusive na forma como tratam seus adversários. Parecem muito seguros de seus fundamentos. Sinceramente, espero que estejam certos e que, de alguma forma, possamos olhar para o Vaticano, para as dioceses e paróquias e ainda ver a Igreja Católica. O problema seria menor. Contudo, ao dizer que a “igreja conciliar”, fruto maduro do modernismo condenado por São Pio X, de alguma forma é a Igreja Católica, espero que preservem as notas dessa única Igreja fundada por Nosso Senhor. Especialmente, espero que não se esqueçam que a Igreja é Santa e, como tal, não pode fazer o mal, não pode afastar as pessoas de Deus, não pode impor leis iníquas, não pode ensinar formalmente o erro. 
Quando falamos de crise na Igreja só podemos nos referir aos aspectos acidentais dela. Pode ser a diminuição de sua extensão pelo mundo, pode ser a diminuição da santidade e doutrina dos seus membros, podem ser as discórdias e divisões entre eles, mas não, nunca, a mutação da Santa Igreja numa outra coisa, numa prostituta que desvia os homens de Deus. Os senhores sabem disso. Alguns dirão: mas a negação disso é o eclesiavacantismo, o sedevacantismo! Não necessariamente. Mas, se as únicas opções possíveis fossem essas, antes aderir ao que for doque blasfemar contra a santidade da Igreja. Assim que for provado – se já não foi, não sei – que é possível afirmar que a “igreja” conciliar de alguma forma é a Igreja Católica e, ao mesmo tempo, não negar a santidade da Igreja, serei adepto dessa hipótese. Até lá, não é tolerável que alguém tenha suas divergências? Não é razoável que alguém prefira ficar com algo certo (a santidade da Igreja) do que com uma hipótese teológica? Além disso, mesmo que não seja uma mera hipótese, mas uma tese certa, alguém que não a aceitasse deixaria de ser católico? É uma verdade de fé? Qual é seu grau de autoridade? Se não é necessário aderir a ela para ser católico seria necessário aderir a ela para pertencer à Resistência?

Conclusão
Aos fiéis que se afastaram do Padre Ernesto Cardozo e àqueles que pensam em não mais recebê-lo: os senhores trocarão a Graça de Deus por um prato de lentilhas? Pois, até onde podemos ver, é disso que se trata. Trocar a santificação de suas almas pela adesão a um Bispo que afirma não ter autoridade, trocar confissões, comunhões por uma hipótese teológica. 
Estando em jogo a Fé católica, não é possível outra reação do que afastar o herege, seja quem for, inclusive o Padre Ernesto Cardozo. Mas, não é o caso. Qual artigo da fé ele negou? 
Aos fiéis lembro as palavras de Georges Bernanos, alguém que certamente seria um grande colaborador de Dom Lefebvre se não tivesse morrido antes do famigerado Vaticano II:
“Ninguém dentre nós que carregue seu fardo- pátria, profissão, família – como nossos pobres rostos sugados pela angústia, nossas mãos duras, o enorme tédio da vida cotidiana, do pão de cada dia a garantir e da honra de nossas casas, ninguém dentre nós jamais saberá teologia o suficiente para tornar-se meramente cônego. Mas sabemos o suficiente para nos tornarmos santos. Que outros administrem em paz o reino de Deus!” (Georges BernanosJoana, Relapsa e Santa, 2013, p.45)
Saber se e de que modo a igreja conciliar é a Igreja Católica ou dela faz parte, além de ser algo inacessível a considerável parte dos fiéis, não é necessário para viver santamente. No grande Cisma os santos foram divididos, Santa Catarina de Siena e Santa Brígida da Suéciaacreditando que o Papa de Roma era o verdadeiro Papa,São Vicente Ferrer e o Beato Pedro de Luxemburgo que o de Avignon era o sucessor de Pedro. Estar certo ou errado nesse ponto não foi o que fez ou deixou de fazer deles santos, mas estar certo sobre as verdades fundamentais da Fé e segui-las, isso sim, faz parte do caminho para a salvação. “Não é com a argumentação prolixa da lei que o gênero humano é salvo, mas com a concisão da fé e da caridade”. (Santo Irineu de Lyon. Demonstração da pregação apostólica, 2014, p.130)
O que nos importa, a nós, os miseráveis leigos quase sempre privados da Missa dominical, das nossas igrejas, da possibilidade de se confessar semanalmente como aconselham alguns santos, de ter os sacramentos nas nossas próprias paróquias e de tantas outras coisas? O que nos importa é a Fé e os santos sacramentos que nos aproximam da Pátria Celeste. Foi assim que Dom Lefebvre nos instruiu, é para isso que ele trabalhou, viveu e sofreu:
“O restaurador da Cristandade é o sacerdote que oferece o verdadeiro sacrifício, que administra os verdadeiros sacramentos, que ensina o verdadeiro catecismo em sua missão de pastor vigilante pela salvação das almas. É ao redor desses verdadeiros sacerdotes fiéis que os cristãos devem agrupar-se e organizar toda a vida cristã. Todo espírito de animadversão contra os sacerdotes que merecem total desconfiança diminui a solidez e firmeza da resistência contra os destruidores da fé.” (Dom Marcel Lefebvre, 1991. Apresentação a Documentación sobre la Revolución em la Iglesia N.1, 1990.)

Augusto Mendes