quarta-feira, 2 de março de 2016

Dom Williamson e o Catecismo (II)

Continuamos uma pequena análise do Comentário Eleison iniciado aqui. (CE 403) Sigamos ao final do artigo primeiramente, pois foi a parte que mais me chamou a atenção a respeito do que foi escrito.

Diz Dom Williamson : “Mesmo Paulo VI condenou a contracepção, emitiu um “Credo” relativamente bom, chorou pela perda das vocações, e falou da fumaça de Satanás entrando na Igreja depois do Vaticano II.”

Vamos por partes: Paulo VI condenou a contracepção? Quando? Paulo VI, na Humanae Vitae, diz: “Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de "paternidade responsável", sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si. [...]Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.”

O Catecismo Romano, II parte, capítulo VIII no item "Razões de ser do Matrimônio", item b, criação da prole como único fim primário, diz claramente, como sempre foi comum em toda a história da Igreja:

"Este é também o único fim primário, por que Deus havia desde o início instituído o Matrimônio. Portanto, crime é gravíssimo, quando pessoas casadas impedem a concepção ou provocam aborto, por meio de medicamentos. Tal proceder equivale a uma ímpia conspiração de homicidas."
Ora bolas, alguns dizem que Paulo VI foi até perseguido por ter escrito essa encíclica, porém foi perseguido porque os liberais gostariam que Paulo VI fosse muito mais aberto do que foi, não obstante foi claramente contrário ao que diz a doutrina da Igreja sobre a procriação no matrimônio. Paulo VI atribui a possibilidade de, por exemplo, um decisão tomada por motivos graves, por problemas psicológicos, mas não especifica claramente quais são os motivos graves. Sabemos que hoje os casais atribuem a diversos motivos, por exemplo, impossibilidade de comprar o carro do ano, a impossibilidade de colocar os filhos na escola mais cara, o fato do PT governar o país, e demais liberalismos do tipo, o controle de natalidade. Seriam estes os motivos graves? Enfim, Paulo VI não consegue esconder seu liberalismo tão pouco nessa encíclica.

Assim, como fiel católico, pediria a Dom Williamson que mostrasse-nos onde Paulo VI condenou a contracepção.[1]

Seguindo, Dom Williamson diz que Paulo VI “emitiu um ‘Credo’ relativamente bom”. O que seria uma coisa “relativamente boa”? Em matéria de fé não há coisas relativamente boas ou relativamente ruins. Lembra-se dos 95% bons do Concílio? Atacamos Dom Fellay com 4 pedras na mão quando este disse que o Concílio Vaticano II era 95% bom. O que fazemos com Dom Williamson agora em situação idêntica? Usaremos da hipocrisia? Pau que dá em "Chico" não dá em Francisco?

E o que seria um “credo relativamente bom”? Paulo VI escreve no seu “credo relativamente bom”: 


“Entretanto, rendemos graças à Bondade divina pelo fato de poderem numerosíssimos crentes dar testemunho conosco, diante dos homens, sobre a unidade de Deus, embora não conheçam o mistério da Santíssima Trindade”. É isso mesmo que você leu... Fiquei pensando que este Credo só não fica devendo mesmo, em nível de ecumenismo e ofensa a primeiro mandamento, a "Nostra Aetate".

Veja o que mais Paulo VI diz no seu “Credo relativamente bom”:

Reconhecendo também que fora da estrutura da Igreja de Cristo existem muitos elementos de santificação e de verdade, que como dons próprios da mesma Igreja impelem à unidade católica, e crendo, por outra parte, na ação do Espírito Santo que suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo desta unidade, esperamos que os cristãos que ainda não gozam da plena comunhão com a única Igreja, se unam afinal num só rebanho sob um único Pastor.”

Senhores, aquilo que sempre atacamos agora virou uma coisa relativamente boa? Ou seja, o que Paulo VI quer dizer com isso, que podemos buscar fora da Igreja elementos de santificação? Ora bolas, os cismáticos ortodoxos possuem a transubstanciação em suas missas, possuem o maravilhoso rito de São João Crisóstomo. Pois bem, o que faremos? Até onde eu sei, continuam sendo cismáticos. Acho que não é necessário dizer com qual espírito Paulo VI escreveu seu Credo "relativamente bom".

[1] Não estou aqui tratando de questões específicas de cada casal. Dúvidas específicas devem ser tratadas com um bom diretor espiritual. Trata-se da doutrina comum da Igreja.

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