domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Toyota e a fé. Em defesa de... Opa.. "Péra! (1)"..

Outro dia recebi um texto de um amigo que tenho bastante consideração, do qual prefiro não dizer o nome, pois não há necessidade de expôr ninguém nesse momento que passamos por tribulações já irreversíveis, onde Padre Cardozo é acusado de uma espécie de sedevacantismo absoluto, agora também é acusado de "eclesiavacantismo", e de afirmar que NADA na igreja conciliar presta, que todos sacramentos são inválidos e outras bobagens do tipo.

Bom, primeiro explico o título do texto, e apesar de ter aprendido nas aulas de redação, inclusive para fazer concursos, que o título do texto retiramos do último parágrafo, adianta-mo em dizer que Padre Cardozo não precisa de defesa. Aprendi dele mesmo que se não o quisermos em nossas missões, ele vai-se embora tranquilamente, pois se temos a graça de recebê-lo para nos "dar as missas", como ele mesmo diz, existem outros cinquenta querendo-o também. Padre Cardozo tem muita experiência no sacerdócio, uma vida de combate aos modernistas, e apesar de Dom Willianson dizer que existem muitos que estão cansados do combate, Padre Cardozo eu tenho certeza que não está.

Antes de iniciar meus argumentos, vou colocar aqui, e depois explico o motivo, com caráter didático, o anúncio de um "recall" do Corrolla feito pela Toyota (2). (donos de Corolla, fiquem atentos... risos)

"Defeito apresentado: Foi detectada uma falha na lubrificação dos contatos elétricos do interruptor de acionamento do vidro elétrico da porta dianteira esquerda dos veículos.
Riscos e implicações: Há risco de curto circuito, superaquecimento e derretimento dos componentes internos do interruptor. Caso isso ocorra, haverá a produção de fumaça e baixo risco de incêndio no local, podendo causar lesões físicas e/ou danos materiais aos ocupantes do veículo."


O anúncio completo do recall pode ser encontrado aqui.

Para quem não sabe, um recall é uma prevenção adotada pelas montadoras, inclusive hoje obrigadas por lei, onde as fábricas ao detectar um possível problema em um veículo, fazem o reparo para que se evite acidentes e para que o consumidor tenha seu direito preservado.

Mas como a montadora chega a esta conclusão? Já trabalhei em uma e posso afirmar. Através de exaustivos testes nos veículos já prontos, testes nos lotes de peças produzidas, e também reclamações, de certa forma, constantes dos consumidores a respeito de um determinado problema. Porém, quando a montadora faz um teste, por questões de custos, tempo, praticidade, o faz em amostras de peças (definidas estatisticamente) para saber se aquele lote de peça, ou lote de produção de um veículo, apresenta o defeito pesquisado.

Dito isto, chegamos ao mais importante: Qual a conclusão destes testes? Se um conjunto de peças apresentar defeito em suas poucas amostras pesquisadas, aquele lote de peça é todo condenado e a montadora fica obrigada a trocar TODAS as peças dos carros vendidos. Voltando ao exemplo do recall dito acima, a Toyota chama os compradores do modelo defeituoso produzidos entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. Sim, carros produzidos ao longo de 2 anos. E por isso significa que TODAS as peças saíram com defeito? Significa que todo o trabalho da montadora foi inútil neste longo período e que lá existia uma "cambada de imbecís" que não sabiam o que faziam? É claro que não. Significa que havendo risco que algumas poucas peças que estejam defeituosas, e que não é possível determinar quais carros realmente saíram com defeito, e procurando preservar a segurança dos consumidores, a montadora se vê obrigada a rejeitar TODO um lote de produção, por causa de alguns poucos defeitos.

Para trazer meu exemplo a fé cito uma passagem do Livro "Preparação para a morte" de Santo Afonso de Ligório:

"Quando São Tomás More foi condenado à morte por Henrique VIII, Luísa, sua esposa, procurou persuadi-lo a consentir no que o rei queria.
Tomás lhe replicou: Dize-me, Luísa, vês que já sou velho. Quanto tempo ainda poderei viver? — Poderás viver ainda vinte anos — disse a esposa. — Oh! triste negócio! — exclamou então Tomás. — Por vinte anos de vida na terra, querias que perdesse uma eternidade de ventura e que me condenasse à eterna desdita?” Iluminai-nos, ó Deus! Se a doutrina da eternidade fosse duvidosa, se não passasse de opinião provável, ainda assim deveríamos procurar com empenho viver bem para não nos expormos, caso essa opinião fosse verdadeira, a ser eternamente infelizes. Mas essa doutrina não é duvidosa, senão certa; não é mera opinião, senão verdade de fé: “Irá o homem à casa da eternidade...” (Ecl 12,5). “É a falta de fé — diz Santa Teresa — a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos!... "

Pois bem amigos, assim é a nossa fé. Se o ser humano tem tal cuidado com algo material, o que dizermos quando o que está em jogo é a salvação eterna? Padre Cardozo nunca nos disse que TUDO na igreja conciliar está errado. Eu particularmente nunca escutei, e se alguém souber se alguma vez ele disse isso, por favor, traga aqui essa afirmação. Sinceramente gostaria de ver. Ao contrário, ele já nos disse umas 50 vezes talvez, por baixo, e isso sim eu escutei, que o erro sempre precisa de uma verdade para se manter. Um erro nunca é 100% erro. Padre Cardozo já nos lembrou algumas vezes de um concílio da Igreja (Pistoia) que foi anulado simplesmente por que neste concílio não havia a palavra "transubstanciação" (ou eucaristia, não estou certo agora). Significa que TODO o concílio estava errado? Claro que não. Significa que a Igreja Católica não erra em matéria de fé e moral, e que ao perceber um mínimo erro, condena tudo aquilo, pois este erro não é da Igreja, e sim do demônio, a qual TODOS nós estamos sujeitos ao seu constante ataque.


Voltando ao exemplo do recall da Toyota,  a fé é como o carro. O recall é o cuidado que devemos ter com ela, ainda que a doutrina da eternidade fosse questão duvidosa, como diz Santo Afonso, deveríamos fazer como as montadoras e reparar seus carros para que evitemos a ocasião de perdê-la. Esse é o princípio envagélico do "Sim, sim, não, não." Ou recusamos falsas doutrinas, mesmo que possam conter partes, até mesmo grandes partes da verdade, ou desprezamos Santo Afonso e fazemos da nossa salvação uma jogo do acaso, onde havendo dúvida, deixo que a sorte possa decidir onde passaremos a eternidade. 


No mais, para também exemplificar aquilo que Padre Cardozo sempre defendeu, e ao contrário do que alguns acham, dizendo que existe nele um espírito sectário: sua recomendação ao nosso confrade Rafael Horta, um dos responsáveis por hoje termos nossa missão em Contagem, sobre sua ida até Anápolis para trabalhar com Padre Fernando, sacerdote este que apesar de celebrar a missa antiga, conferir a confissão no rito antigo, entre outros detalhes, foi ORDENADO NO RITO NOVO. Ora bolas, se Padre Cardozo realmente achasse que TUDO na igreja conciliar não presta, ele teria dito a um fiel que recebesse os sacramentos de um padre que COM CERTEZA teria sua ordenação inválida?

Além disso, nós mesmos que estamos hoje na finada "resistência", somos exemplo de que nem tudo na igreja conciliar é ruim. Mas uma coisa é certa, não estamos aqui por causa da igreja conciliar, mas APESAR da igreja conciliar.

E pra terminar deixo aqui um explicação do Prof Carlos Nougué, em uma palestra dada em Ipatinga em outubro do no passado (3), onde ele mesmo diz, entre outras coisas, que é uma regra de fé não frequentar sacramentos duvidosos.

Até onde sei, ninguém disse que Carlos Nougue é sedevacantista absoluto.

Bom, sabe mais a Toyota sobre a fé do que nós?

(1) Nós mineiros temos o peculiar e admirável hábito de cortar as palavras ao meio. Quem não conhece a piada do "Pó pô pó? Pó Pô." Pois bem, "Péra" é a mesma coisa que "Espera". Só mineiro mesmo pra entender.

(2) Um recall como narrado é praticado por todas as montadoras, que o fazem ao menos por força de lei. A Toyota é a maior montadora do mundo, tendo seu modelo de produção copiado por diversas outras empresas.

(3) Aqui a palestra completa. A fala da qual se refere o texto esta por volta de 46:00. Em tempo, quem quiser escutar a palestra toda, Carlos Nougue explica claramente o caos da igreja conciliar, motivo pelo qual devemos ordinariamente manter distância.

Um comentário:

  1. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo foi edificada sobre a rocha, a saber, São Pedro, e ser católico é permanecer junto à rocha, portanto eu opto por continuar tentando ser católico, sem mais mais, apenas sim sim, não não, como bem disse nosso querido padre Ernesto Cardozo. Viva Cristo Rei!

    ResponderExcluir