segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Ainda sobre os bons e maus frutos - parte I

Seguem os comentários do Evangelho de  São Mateus retirados do livro "The commentary of Cornelius a Lapide" em inglês, páginas 362 em diante.

São Mateus 7,
15. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.
16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
17. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.
18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.
19. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
20. Pelos seus frutos os conhecereis.

Hoje publico os comentários dos versículos 15 e 16. Nos próximos dias os versículos seguintes.

Versículo 15: Cuidado ("evitar cuidadosamente, preservar-vos de”, "guardar-se contra” em Sírio) com os falsos profetas, que vêm até vós vestidos de ovelhas, mas que interiormente são lobos devoradores. Cristo passa para a admoestação mais salutar sobre proteger-se contra os falsos mestres, que ensinam que o caminho para o céu não é estreito, e sim fácil; e que assim, enviam aqueles que os seguem não para o céu, mas para o inferno. Eles ensinam que não precisamos jejuar, nem confessar, nem preservar a virgindade, nem os votos religiosos; eles permitem todos os tipos de liberdade para a carne, e tiram todo o mérito das boas obras.

Note-se que [a palavra] profeta na Escritura não significa somente alguém que prediz eventos futuros, mas por catacrese muitas outras pessoas também, como os homens santos e religiosos, cantores, operadores de milagres, e aqui, como em muitos outros lugares, um médico ou professor. Pois os profetas eram mestres do povo. Um profeta, portanto, é um médico que professa o caminho da vida e das coisas compreensíveis que não eram claras para os outros, quer ele predique eventos futuros ou não. No hebraico um profeta é chamado de vidente, porque ele vê as coisas secretas e ocultas, especialmente coisas como os eventos futuros. Falsos profetas, portanto, são falsos mestres, sejam eles os hereges, ou os gentios como pagãos, ou quaisquer outras pessoas que tentam nos tirar do reto e estreito caminho, direto para o caminho largo que leva a perdição, por isso eles são como lobos que destroçam e devoram as ovelhas.

Portanto, a roupa de ovelha que estes lobos colocam são destinadas a ocultar e encobrir seus erros e heresias, primeiro sob o fundamento da liberdade de consciência 2. Ao citar textos da Escritura que parecem favorecer suas heresias 3. Sob pretexto de reformar a moral da Igreja, especialmente os do clero e eclesiásticos 4. Pela simulação de simplicidade, mansidão e piedade 5. Através de discursos mansos e uma tagarelice eloquente, pela qual eles escondem sua ferocidade de lobos e inteligentemente insinuam-se nas mentes dos seus ouvintes de modo a mais adiante infectá-los e destruí-los [inficiant et interficiant] com seus erros, e esvaziar suas bolsas e devorar suas riquezas. A fim de servirem suas barrigas, eles fazem os sectários perderem suas almas, enviando-os ao inferno, que é certamente [caracteriza] a voracidade e ferocidade de lobo.

Aqueles que vêm por si e por sua própria iniciativa, e usurpam o ofício de ensino, uma vez que eles não são nem chamados nem enviados, nem aprovados pelos bispos e prelados da Igreja. Em relação a esses é dito (Jeremias 23,21) “Eu não enviei profetas: ainda assim eles correram" (Jer 23,21)

Versículo 16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Colhem-se, não os falsos profetas, mas os homens em geral, por exemplo, agricultores. A questão, portanto, significa, "são colhidas uvas ...?" Como uvas não são normalmente produzidas por ou colhidas de espinhos, nem figos dos abrolhos, então da mesma maneira, nenhum fruto bom ou doce pode ser colhido a partir de heresia ou hereges, mas apenas frutos ruins, duros e espinhosos. Este fruto é de dois tipos: 1, Da falsa e ímpia doutrina 2. Da moral corrompida e da maldade, que é consequência do primeiro fruto [Falsa e ímpia doutrina]. Lutero e Calvino têm dado exemplos neste sentido. Lutero ensina que os votos não são obrigatórios para os religiosos; que o homem não possui livre-arbítrio, que ele é escravo da necessidade, que ele deve pecar; que a fé sozinha justifica; que as boas obras não têm mérito diante de Deus. Calvino ensina que Deus é o autor dos males; que Cristo se desesperou na cruz, que Ele sentiu as dores do inferno, etc; tais coisas são totalmente blasfemas e contrárias à lei natural e à razão. Calvino sustentou, também, que a fé, o que [na verdade] significa sua própria perversão da mesma, deve ser defendida e propagada á força, até mesmo depondo e matando príncipes e reis legítimos, bispos, padres e católicos que se opunham a ele. Por isso temos ouvido falar, e quase testemunhamos com os nossos olhos na França, Inglaterra e Alemanha, tantos assassinatos, roubos, padres e católicos exilados, e um vasto dilúvio de iniqüidade, como se fosse uma conflagração universal da bondade. Vimos os santos sacramentos profanados, o santo sacrifício abolido, os santos condenados, votos quebrados, igrejas queimadas, os sagrados cânones anulados, virgens violadas, homens honestos eliminados, os desonestos exaltados e governando, etc. Pois, como verdadeiramente disse John Fisher, bispo de Rochester, que, com Thomas More, foi um mártir glorioso na Inglaterra sob Henrique VIII: "A luxúria é ao mesmo tempo a mãe e a filha de heresia.”

Meu reforço. Nenhum fruto doce pode ser colhido da heresia ou dos hereges. Apenas frutos ruins, duros e espinhosos. Nada de frutos mais ou menos bons. Para quem sabe ler, um pingo é letra.

Tradução : Eugênio Mendes

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