segunda-feira, 23 de março de 2015

Sermão do Rev. Padre René Trincado no Mosteiro da Santa Cruz – I° Domingo da Paixão.





"Tempus faciendi domine, dissipaverunt legem tuam: já é tempo de cumprir o prometido. Violada está Tua divina Lei; abandonado Teu Evangelho; torrentes de iniquidade inundam toda a Terra e a arrastam mesmo a teus servos. Desolada está a Terra, a impiedade se assenta nos tronos (a democracia liberal), Teu Santuário é profanado, a abominação está no lugar santo. Deixarás tudo abandonado, Senhor justo, Deus das vinganças? Chegará a ser como Sodoma e Gomorra? Te calarás para sempre? Continuarás suportando tudo?” São Palavras proféticas de São Luís Maria Gringnon de Montfort, palavras que descrevem a terrível época inaugurada com o último concílio. E neste espantoso panorama de devastação geral, só um cego pode negar ou por em dúvida a necessidade, mais urgente do que nunca na história da Igreja, de ter bispos que nos deem a Doutrina Católica integra, a Verdade salvadora.

Acusa-se a Resistência de causar a divisão dos que devem estar unidos, de soberba e de desobediência. Antes, acusaram a Mons. Lefebvre exatamente do mesmo. Os que nos acusam de romper com a unidade padecem desse sonho pacifista tão característico dos liberais. Nossa resposta está nas palavras eternas de Cristo: “Não vim trazer a paz, senão a espada de divisão” (Mt. 10,34; Lc. 12,51). “A paz vos deixo, minha paz vos dou; não como a dá o mundo, Eu vo-la do” (Jo. 14,27).

Nosso Senhor nos ensina que uma é a paz do mundo e outra é a paz de Cristo. Que há uma paz boa e outra ruim. Uma divisão boa e outra má. “A paz de Cristo é a união que Ele estabelece entre o céu e a Terra por sua Cruz (Col. 1), diz São Cirilo citando São Paulo e agrega que é má toda a paz que separa do amor divino”. E São João Crisóstomo, falando da boa espada ou divisão, diz que o médico, a fim de salvar o restante do corpo, corta o que tem de incurável. Acrescenta que uma divisão boa terminou com a má paz da Torre de Babel e que São Paulo, por sua vez, dividiu a todos que se haviam unido contra ele (At. 23). São João Crisóstomo assinala que Cristo veio dar início a guerra Católica e Santo Eusébio ensina que Nosso Senhor, fazendo-nos do exército do Reino dos Céus, nos dispôs para o combate contra os inimigos. Estas citações provam a mentira do pacifismo dos liberais.

Agora bem, depois de quase vinte séculos de guerra, de resistência da Igreja, entre duros combates, vindos do Demônio, finalmente, com sua obra mestra, o Concílio Vaticano II, a destruir a vontade de luta dos soldados de Cristo. Com efeito, o liberalismo, batizado no concílio, acabou com a guerra: se firmou por fim a paz com o Demônio, o mundo e a carne.

Contra esse engano diabólico se levantou valorosamente e resolutamente nosso fundador, Mons. Lefebvre, porém 40 anos depois vemos a congregação que lutava gloriosamente em defesa de Cristo, abandonar gradualmente a trincheira, deixar paulatinamente de combater e mendigar migalhas à seita conciliar. Perdida a esperança na conversão de Roma pelo poder divino (coisa que parece impossível aos que deixaram de confiar inteiramente em Deus) e esquecendo que esta guerra não é de homens senão de Deus; se busca um auxilio humano, uma aliança adultera com os liberais moderados, a ajuda de alguns supostos “novos amigos em Roma” (Cor Unum 101), se pretende um acordo de paz com o inimigo. Se pensa que entrando na estrutura oficial, os tradicionalistas converterão pouco a pouco aos modernistas e, desse modo, a Igreja será restaurada. Porém, tudo isso não é mais do que uma horrorosa ilusão de origem indubitavelmente diabólica, ilusão que está fazendo baixar os braços aos que combatiam valorosamente por Cristo: “Não se veem na Fraternidade os sintomas dessa diminuição na confissão da Fé?” diziam os três bispos ao Conselho Geral em sua carta de abril de 2012. O combate pela Fé diminui na mesma medida em que a fumaça de Satanás – o liberalismo – se introduz na Tradição por uma greta aberta por dentro e pela cabeça traidora. Por isso, agora a Fraternidade busca uma paz que não é de Cristo.

No que nos diz respeito, saibamos viver e morrer na trincheira, que é aos pés da Cruz. Não una o homem o que Deus separou! Esta é a guerra de Deus. Com efeito, ensina São Luís Maria Gringnon de Montfort em seu “Tratado da Verdadeira Devoção” que “Deus quis e formou uma única inimizade – inimizade irreconciliável – que durará e aumentará até o fim, e é entre Maria e o diabo; entre os filhos e servidores da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer”. E disse Deus: “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre tua descendência e a dela. (Gen. 3, 15). Ai está a declaração de guerra! Foi Deus quem declarou a guerra! Fomos criados para a guerra! E essa guerra é Sua guerra, não nos pertence, não temos direito de fazer a paz, em terminar com ela. Nosso dever é de combater sem pretender por fim a esta guerra. Não temos o direito de render-nos. Temos o dever de pelejar, não de alcançar a vitória, porém, para os soldados de Cristo, pelejar é vencer! “Aos soldados toca combater, e a Deus dar a vitória” dizia Santa Joana D’Arc. A vitória virá no final. Deus revelou o resultado da guerra: “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre tua descendência e a dela”... e ela te esmagará a cabeça.” “Ipsa conteret” (ela esmagará). Essas duas palavras são precisamente o lema escolhido por Dom Faure. Ipsa conteret caput tuum: Ela, demônio maldito, pai do modernismo, do liberalismo, de todas as heresias, das covardias, das traições e de todos os pecados; te esmagará a cabeça, te vencerá.

“Fidelis inveniatur” (sejam encontrados fieis) (I Cor 4, 2) é a divisa de Dom Williamson. Longe de ser “pura retórica”, explica o ódio e a perseguição universal do qual é objeto. Porque Deus suscitou inimizades, antipatias e ódios...- sigo citando São Luís M. G. de Montfort – entre os verdadeiros filhos e servidores de sua Mãe e os filhos e escravos do demônio...filhos de Belial, os escravos de satanás...perseguiram incessantemente...e perseguiram ainda mais...aqueles que pertencem a Santíssima Virgem, assim como em outro tempo Caim perseguiu Abel e hoje a Ne0-Fraternidade, Roma apóstata e os obscuros poderes mundiais perseguem a Dom Williamson e Dom Faure, aos bispos fieis a Resistencia, a Dom Tomás e seus monges e a todos os demais verdadeiros soldados de Cristo.

Que pela intercessão de Nossa Mãe Santíssima, Deus nos conceda combater até o fim com o valor e a força do Leão (do escudo de Dom Williamson) e com a humildade e mansidão do cordeiro (do escudo de Dom Faure), as ordens de nossos dois bispos, e sob nosso único estandarte: a Cruz de Cristo.

E Viva Cristo Rei!

Fonte: Non Possumus


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